Morar no Buritis proporciona algumas experiências incomuns à maioria dos bairros de Belo Horizonte. Mesmo estando em um bairro predominantemente composto por edifícios, ainda assim conseguimos estar próximos a grandes, e belas, áreas verdes. Contudo, essa convivência de realidades tão distintas, sem uma assistência adequada dos órgãos competentes, acaba provocando situações incômodas no dia a dia. Uma delas tem sido a enorme presença dos quatis nas áreas urbanas.
Moradores da Rua Pedro Natalício de Moraes, que fica localizada ao lado do Parque Aggeo Pio Sobrinho, há mais de um ano vêm convivendo com a presença dos quatis. Em busca de comida, os animais silvestres saem do parque e reviram todos os lixos que encontram pela frente. Além da sujeira que provocam, alguns deles se mostram agressivos e atacam pessoas e, principalmente, pequenos pets.
Morador na Pedro Natalício, o psicólogo Jean Schucko diz que, no início, havia uns cinco ou seis quatis. Mas o tempo foi passando, e como nenhuma ação foi feita, o número aumentou consideravelmente.
"Aí entra o problema, a proliferação dos bichos sem nenhum controle. Em todo ecossistema, em que um animal começa a se reproduzir sem controle e sem um predador natural, ele irá causar um desequilíbrio ecológico, porque vai começar a se alimentar de tudo que é possível, dentro e fora do parque, inclusive de outros animais menores, ou frutas, ou plantas, o que for. E isso vai acontecer desordenadamente".
De acordo com Jean, por várias vezes entrou em contato com os órgãos competentes para alertar sobe a situação, porém as respostas obtidas foram evasivas. "As respostas são: ah, vamos ver com a universidade tal, com os técnicos, o que pode ser feito. A verdade é que só existem duas coisas a serem feitas: a primeira é a captura dos quatis e o remanejamento deles para outra mata maior; a segunda é a castração".
Em contato com a diretoria da Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica, esta informou que tem trabalhado no sentido de desenvolver ações educativas, alertando os moradores das residências no entorno do Parque Aggeo Pio Sobrinho sobre atitudes essenciais para evitar a atração desses animais para as áreas externas: a principal delas, o acondicionamento correto do lixo.
"Por algumas vezes, em ações realizadas na região, foram encontrados lixos acondicionados de maneira inadequada. É importante destacar que uma medida eficaz para evitar a atração de quatis é não deixar o lixo exposto, realizando seu depósito somente momentos antes de o caminhão da coleta passar. A título de curiosidade, os quatis são onívoros e se alimentam de frutas, invertebrados, ovos e ocasionalmente de pequenos vertebrados”.
De acordo com o psicólogo, esta orientação a respeito das lixeiras foi passada a ele, porém, acredita que essa opção somente iria transferir o problema de lugar.
"Na Rua Stella Hanriot, primeiro começou a acontecer lá. Aí eles fecharam as lixeiras todas. Os bichos vieram para cá. A última vez que eu conversei com o representante da Prefeitura, ele falou assim: se vocês mudarem as lixeiras, fecharem as lixeiras, eles vão para outro lugar. Eu falei para ele, mas que solução é essa? Nós vamos fazer com que os bichos não fiquem aqui, e daqui eles vão para outra rua do Buritis, causar o mesmo transtorno? Ou seja, estão simplesmente empurrando o problema para outra rua. Então, nós precisamos realmente fazer alguma coisa mais séria para encontrarmos uma solução definitiva", afirma.