Belo Horizonte, domingo, 17 DE novembro DE 2019
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FERRAMENTA PARA UM BANDO DE PICARETAS


 

            Para que um negócio prospere é fundamental que ele seja visto. Para chegar aos olhos dos clientes é preciso divulgação. Por mais que muitas pessoas se sintam incomodadas com o turbilhão de mensagens publicitárias que atingem o nosso campo visual, é mais do que certo que a propaganda é necessária para o sucesso do empreendimento. Diz o ditado popular que ela é a “alma do negócio”. Porém, o que não se pode aceitar são atitudes e estratégias de comunicação feitas de modo irregular e que até mesmo servem de base para golpes e atos criminosos.

          É exatamente isto que encontramos em faixas ocupando irregularmente o espaço aéreo. Cartazes espalhados em postes, lixeiras e, vejam só a cara de pau, até mesmo em muros de propriedades particulares. Esse tipo de “propaganda” está espalhado por toda a cidade e, infelizmente, no Buritis não é diferente. Além de causar poluição visual prejudicando a estética do bairro,  depredar o patrimônio público, prejudicar a saúde de nossas árvores, e ainda gerar riscos quando pendurados em fios de alta tensão, esse tipo de propaganda, sem nenhuma base de garantia, é o imã para charlatães e picaretas atraírem consumidores que se deixam levar por promessas mirabolantes e negócios de vantagem duvidosa.

            No caminho entre o início da Avenida Professor Mário Werneck até a altura do UniBH, é quase impossível encontrarmos um poste que não esteja tomado por anúncios que prometem muitos bons negócios, inclusive “trazer o seu amor de volta”. A reportagem do JORNAL DO BURITIS convenceu uma pessoa muito bem casada, com um relacionamento absolutamente estável, a procurar um desses anúncios que se comprometem com o retorno da pessoa amada.

           A dita “cartomante” não duvidou em momento algum da pessoa e, após fazer seus "trabalhos" com cartas e tarôs, garantiu a paixão de volta em poucos dias, desde que o cliente também fizesse a sua parte para a manutenção da boa relação. "Foi estranho presenciar tudo aquilo. A pessoa oferecendo um serviço que nem existia. Dando até conselhos de como eu devia me portar. Ao final da consulta, me cobrou R$40 e disse para eu ficar tranquilo que ela iria voltar. Simples assim". 

Golpes Financeiros

            Neste caso não houve prejuízo. A quantia paga foi custeada pela reportagem do JB. Mas existe algo muito pior do que ser vítima dessas falsas profecias. Em alguns casos, os clientes são vítimas de golpes e crimes com prejuízos infinitamente superiores. Infelizmente, vivemos em um momento de violência em nosso país que devemos desconfiar da boa intenção de qualquer pessoa que seja. Por exemplo, ao procurarmos pela compra ou aluguel de um imóvel anunciado em uma faixa podemos estar fazendo um grande negócio, mas também podemos estar nos colocando em um grande risco. Afinal, não temos nenhuma informação prévia de quem está fazendo a oferta. Não existe um CNPJ, uma loja física ao qual possamos recorrer.

            Os golpes promovidos por falsos corretores são muito comuns. Todos os anos, milhares de pessoas são flagradas exercendo a atividade ilegalmente. Qualquer pessoa pode se passar por corretor se você não souber como identificá-lo. "Achei que iria fazer o negócio da minha vida. Olhamos o  apartamento, minha família adorou. Acontece que somente depois de depositar o dinheiro descobri que o imóvel não havia sido colocado à venda pelo proprietário. Ao procurar o corretor, o telefone em questão não mais existia e nunca mais o encontrei", lamenta o funcionário público P.N.R.

            Situação mais grave foi a vivida por L.R.M. Viu o anúncio de aluguel de um apartamento em uma faixa, entrou em contato com o locatário e foi conhecer o imóvel. Assim que chegou ao local marcado para o encontro, teve uma péssima surpresa. "Dois homens se aproximaram, me chamaram pelo nome. Quando fui cumprimentá-los sacaram uma arma e anunciaram o sequestro relâmpago. Pegaram meu cartão e senha, fizeram vários saques, em seguida me abandonaram em uma estrada e fugiram com meu carro. Depois desse momento de terror, não compro mais nem uma bala se não souber muito bem de quem estou comprando". O próprio Conselho Regional dos Corretores de Imóveis de Minas Gerais permanentemente faz campanhas para que as pessoas saibam reconhecer um verdadeiro profissional da área.

Carretos

            Outro anúncio muito comum colado em postes e árvores é o que oferece serviços de mudanças. Como confiar produtos que você conquistou a custo de muito suor a pessoas que, talvez, não tenham qualquer qualificação para tal? A história do professor Leonardo Gama expõe muito bem esta situação. "Contratei os serviços. Os carregadores chegaram na hora marcada e fizeram a mudança. Mas, infelizmente, não tive muito tempo para comemorar a casa nova. Móveis arranhados, pés de cadeiras quebrados, peças delicadas trincadas, armários que não fecham as portas. Eram tantos defeitos que não sabia qual lamentar mais. Ao questionar os responsáveis pela mudança, simplesmente disseram que fizeram seu trabalho e que, se estava achando ruim, que procurasse meus direitos na justiça. Claro que não fiz isso. Iria levar um papel retirado de uma árvore como prova? Além da casa nova, fui obrigado comprar móveis novos".

            A própria reportagem do JB entrou em contato com um destes anunciantes que oferecem serviços de Mudança. Pelo telefone, do outro lado da linha a pessoa somente quis se identificar com o primeiro nome. Perguntado qual era o nome da empresa, o endereço e a pessoal responsável, o “anunciante” tratou logo de terminar a conversa. Estes são apenas alguns exemplos de golpes vivenciados por pessoas que se arriscaram em confiar em propagandas irregulares espalhadas pela cidade. É possível que muitos outros truques como estes estejam sendo aplicados neste momento. Por isso, todo o cuidado é pouco, ou melhor, a dica é: nunca optar por este tipo de anúncio.

O que diz o Código de Posturas          

            E, além de todos esses casos citados, vale a pena fazer um parênteses a respeito de empresas que se anunciam em faixas penduradas pelo bairro. Apesar de não estarem cometendo nenhum crime contra o cliente, estão cometendo um crime contra a sociedade e contra o meio-ambiente. O Código de Posturas de Belo Horizonte é muito claro no seu artigo 189 da Lei Municipal 8.616 de 2003. "É permitida a instalação de faixa e estandarte no logradouro público quando transmitirem exclusivamente mensagem institucional, veiculada por órgão ou entidade do poder público”. A multa pode chegar a R$ 2.975,34, tanto para a pessoa flagrada colocando o engenho publicitário quanto para o anunciante.

            Como a equipe de fiscais da Prefeitura é reduzida e não consegue combater o problema de forma mais veemente, o jeito é a comunidade não deixar nunca de denunciar este tipo de propaganda. Quanto mais denúncias chegarem à fiscalização da PBH, maior será a atenção dada ao bairro. E é fácil fazer esta denúncia. Pode ser pelo telefone 156; no BH Resolve (Avenida Santos Dumont, 363, Centro) ou pelo serviço de atendimento ao consumidor do site da PBH.

 

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