Belo Horizonte, quarta-feira, 21 DE abril DE 2021
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EMPRESÁRIOS CONTAM COMO FIZERAM PARA SOBREVIVER


Publicado em 09/02/2021

           Na tentativa de conter o avanço do Coronavírus na capital, o prefeito Alexandre Kalil (PSD) decidiu em janeiro fechar novamente a cidade. O fechamento foi decretado por três vezes. As duas anteriores ocorreram em março e junho do ano passado. Nesta terceira vez foram mais 20 dias de portas fechadas. Em 11 meses, milhares de estabelecimentos, principalmente do setor de comércio e serviços, tiveram suas portas fechadas por quase seis meses. Felizmente, muitos dos nossos guerreiros que tiveram que fazer esse sacrifício para salvar vidas conseguiram se reinventar e se mantiveram vivos. No Buritis temos bons exemplos de quem enfrentou o inesperado problema e, mesmo com muitas dificuldades, evitou a falência e o desemprego de milhares de trabalhadores.

           Gutemberg Stenner, proprietário da Academia A+, chegou a ganhar destaque na mídia durante a pandemia por denunciar o sofrimento que os empresários do setor estavam vivendo. Não teve de decretar falência como muitos de seus colegas em razão de importantes ações que tomou e, principalmente, pela colaboração de parceiros e clientes. “Fiz acordo com funcionário para que a folha salarial diminuísse. Acordo com fornecedores, desde o valor do aluguel a produtos de limpeza. Aluguei aparelhos de ginástica para quem quisesse fazer as atividades em casa. Contei com a confiança de alguns clientes que fizeram pagamento antecipado de suas mensalidades por acreditar na virada da empresa após esta crise”.

               Para gerar receita, Gutemberg chegou a deixar o empresário de lado e voltar a atuar como um profissional da Educação Física. “Como é comum dizer, coloquei a mão na massa. Coisas que o empresário do ramo não fazia mais voltou a fazer, como por exemplo, dar aulas de personal treiner”, revela.

               Outros profissionais muito prejudicados com a decisão da Prefeitura de Belo Horizonte foram os cabeleireiros. Um dos pioneiros do Buritis, o cabeleireiro Anderson Santos, profissional bastante conhecido pelos 25 anos de serviços prestados no bairro, se reinventou para conseguir manter as contas em dia. Ele lembra que a ficha sobre a difícil situação que estava passando caiu quando após aquela primeira semana de fechamento do comércio, na segunda quinzena de março, quando houve um grande índice de isolamento social, a conta da Cemig chegou e ele não havia feito um corte de cabelo sequer. “Eu disse: nossa! Tenho que trabalhar. Não sei o que vou fazer, mas tenho que fazer algo para manter as contas da minha casa, da minha família”.

               Anderson pegou o celular e disparou mensagens de WhatsApp para seus clientes oferecendo seu serviço em casa. “Foi uma espécie de delivery (rsrs). Para minha imensa satisfação os clientes foram respondendo positivamente e eu consegui trabalhar. Se tenho algo para tirar de bom deste momento foi ver o quanto os meus clientes são fiéis ao meu trabalho. Um orgulho muito grande pra mim”.

               Apesar de ainda estarmos vivendo um momento de pandemia, quando esta passar o cabeleireiro irá manter um modelo de serviço que teve de implantar agora. Desde que pôde reabrir as portas, Anderson somente tem feito atendimento agendado. Desta forma, seus clientes não precisam se preocupar em ter qualquer contato com outras pessoas.

               “O cliente fica sozinho aqui dentro. Apesar de eu ter espaço para manter um distanciamento entre três, quatro pessoas, preferi tomar esta decisão, e não poderia ter tomado decisão melhor. Tenho muitos clientes que estão dentro da faixa de risco. Muitas vezes quando termino meu trabalho vejo no rosto deles um sentimento de alívio. Com pandemia ou sem vou seguir oferecendo este atendimento a eles”, garante.

                Proprietária da clínica Deep de depilação e estética, Ester Leal diz que, sem dúvida, este foi o momento mais difícil e desafiador que a sua empresa passou até hoje, desde quando foi aberta em 2011. Porém, gerou uma grande paciência, fé em Deus e diversas atitudes como, por exemplo, fazer empréstimos a um juro menor, negociação com o aluguel e vendas on line com preços especiais para quando a clínica reabrisse. "Agora o pior já passou e temos que ter coragem e disposição para trabalhar com criatividade para assim o negócio voar em 2021. Se o meu negócio não fechou nessa pandemia dificilmente fechará. Isso é o que me traz ânimo para arregaçar as mangas, continuar trabalhando e jamais desistir".

                 A expectativa agora, caso o prefeito não volte a jogar nas costas do comércio a responsabilidade em conter o avanço da Covid-19 na capital, é por um futuro de conquistas, como revela Stenner. “O futuro é incerto, mas uma coisa que me motiva é que pior que está não vai continuar. Uma hora a gente tem que crescer. Que venha a vacina, que a população saia de casa e aproveite mais os serviços de forma geral. Vá à academia, ao restaurante, ao clube, ao shopping. A economia tem que rodar e a gente correr atrás. Pagar as dívidas contraídas. Trabalhar para vencer. E dos políticos a gente espera que tenham um carinho a mais para quem mais gera emprego nossa cidade, que é o micro e pequeno empresário”, finaliza.

 

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