Belo Horizonte, terça-feira, 11 DE dezembro DE 2018
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ELES PRECISAM DE UM LAR. ADOÇÃO DE ANIMAIS UM GESTO DE AMOR


            Os cães que vivem nas ruas, geralmente abandonados, estão à mercê de restos de comida e abrigos que conseguem encontrar para sobreviver. E assim como qualquer outro animal, acabam se reproduzindo em grande escala. O problema é que, por falta de atitude para controlar esta população, por exemplo com uma campanha de castração em massa, eles continuam procriando e, desta forma, aumentando ainda mais a sua presença nas vias públicas, o que gera preocupação em muitas pessoas. É preciso fomentar a importância do controle de animas e, claro, incentivar a adoção, um gesto que emociona até os seres humanos com menor sensibilidade à causa animal. Nesta reportagem especial, o JORNAL DO BURITIS irá mostrar histórias de pessoas que dedicam grande parte de suas vidas em prol destes animais que não têm um lar. Chegam a fazer dívidas financeiras e até mesmo arriscar a própria saúde só para verem estes bichinhos terem um futuro mais digno e feliz.

            Morador no Buritis, Amir Nadur é fundador do Zombie Control Resgate, que atua há sete anos em resgates de animais que vivem nas ruas aqui do bairro e imediações. Amir já perdeu a conta de quantos resgates realizou, desde cães e gatos, até cavalos, que também é muito comum encontrarmos  pelas ruas do Buritis. Algumas destas ações até deixaram marcas no corpo, que, apesar de doloridas, as carrega com muito orgulho. “São várias cicatrizes, ocorridas devido aos movimentos complexos para o resgate. Uma vez cheguei a cair em um buraco profundo na tentativa de salvar um cão e cortei a perna. Mas cada resgate realizado fortalece ainda mais meu desejo de seguir com a causa”, ressaltando que o mérito pelo trabalho não é apenas dele, mas de toda a equipe.

            Também morador no Buritis, Andrés Gutierrez começou o seu engajamento na defesa das causas dos animais  quando tinha 19 anos. Ao observar a fragilidade dos bichinhos que viviam nas ruas, acreditou que poderia fazer algo por eles. No começo, adotou alguns gatos que encontrou dentro de uma lixeira. Depois que ficou impossível ter mais animais em sua casa, começou a procurar lares adotivos para eles. Além disso, ele ainda leva comida e abrigo a animais que encontra abandonados.

            "Já teve vez que fiquei sem um centavo no bolso porque gastei todo o meu salário ajudando os animais abandonados. Eu ajudo protetores, oriento adotantes. E em último caso levo para minha casa mesmo. Faço tudo o que posso. Eu não julgo quem não se interessa pela causa, porém, acredito que, mais importante do que reclamar ou até matar o animal como alguns fazem, é procurar fazer algo para solucionar o problema. Eu não quero ser símbolo, quero ser apenas mais um de muitos".

            Membro do grupo "Lares Temporários", Márcia Menezes tem dedicado os últimos anos de sua vida à causa animal. Natural da cidade de Curitiba (PR), se assustou ao se mudar para Belo Horizonte e ver a grande quantidade de cães que viviam nas ruas. Ela já tinha esta preocupação em sua cidade natal, mas viu que aqui era preciso agir muito mais. Como o próprio nome do seu grupo mostra, ela resgata animais abandonados e os leva para um lar temporário onde encontram muito carinho dos cuidadores. Por lá eles ficam até encontrarem um lar definitivo. "Eu pago uma mensalidade para manter estes bichinhos neste espaço, onde sei que eles vivem felizes e seguros. Simplesmente eu não consigo passar por eles, ver a sua fragilidade, e fingir que nada está acontecendo. Eles são seres vivos que só querem um lar e em troca dar um amor incondicional".

Felicidade para ambas as partes

            A cada ano que passa aumenta o número de grupos e organizações que possuem um trabalho de conscientização da população para adoção desses animais indefesos e da importância que esse ato tem na vida dos bichinhos e de seus donos. Adotar é um ato de amor, assim como uma criança, um animal de estimação também precisa brincar, precisa de carinho, atenção e cuidados. Podemos ver em seus olhos a expressão de alegria depois de bem tratados.

            A adoção traz felicidade para ambas as partes. Os animais que encontram um lar demonstram uma gratidão imensa pelas pessoas que os cuidam. "É um amor, uma gratidão, que não tem como mensurar. Eu tive a "louca" ideia de resgatar um cão de rua uma vez e hoje já tenho mais de dez na minha casa. Como não posso mais ficar com nenhum, me dedico a encontrar bons lares aos que encontro nas ruas", explica a protetora Zélia Boaventura.

            No último dia 25 de novembro, a Dog's Shop do Buritis realizou uma feira de adoção de cães e gatos. Talvez pela forte chuva que caiu no dia e a proximidade com as férias de fim de ano, não houve um grande número de animais adotados. Contudo, para quem organiza a ação, se apenas um bichinho encontrar um lar amoroso, já terá valido todo o esforço.

            Uma prova de como o trabalho de adoção é sério, não basta escolher um animal, tirar do cercadinho e levar para a casa. Para adotar um cão, a pessoa deverá passar por uma criteriosa avaliação para saber se está apta a ter o animal. Até mesmo a castração é exigida. Eles já sofreram bastante e não podem passar pela enorme frustração de terem um lar por algum tempo e novamente serem jogados na rua.

            Luciana Botelho e o filho Matheus passaram pela avaliação e saíram da feira com um filhotinho nos braços. O nome ainda não haviam escolhido, a única certeza que tinham é que não poderiam estar fazendo escolha melhor. "Temos condições de ter um cão de raça, mas para quê comprar se o nosso único desejo é dar e receber amor e tenho certeza que entre a gente isto não vai faltar", diz Matheus. "Além de toda a felicidade em ter um animalzinho em casa,  estamos ajudando a salvar uma vida", completa Luciana.

            Infelizmente, é importante lembrar que cães e gatos abandonados normalmente não estão nos abrigos ou nas ruas porque têm algum problema comportamental ou de saúde. A maioria dos casos de abandono é por irresponsabilidade dos antigos donos, que compraram ou pegaram um bichinho sem pensar nas conseqüências. Sem estar completamente cientes da responsabilidade que é ter um animal de estimação e, por razões as mais diversas, acabaram por deixar os animais nas ruas, de onde, se tiverem sorte, vão para os abrigos dos protetores de animais. Isto fica ainda mais claro ao observamos a grande quantidade de cães e gatos de raça que se encontram nesta situação.

Ativistas querem mais investimentos do Poder Público

            Adriana Araújo é ativista animalista, ambientalista e fundadora e coordenadora do Movimento Mineiro pelos Direitos Animais - MMDA. Desde o ano de 2006 à frente do Movimento já colecionou dezenas de ações em prol dos animais como: elaboração, mobilização, aprovação e execução da Lei 21.970/2016 sobre manejo ético (castração) de cães e gatos, proibindo a matança desses animais como forma de controle e dispondo sobre a política pública envolvendo várias ações; mobilização pela criação da Lei 22.231/2016, que define penalidades e multas para crimes contra animais; proibição dos testes em animais para cosméticos e material de higiene (Lei 23.050/2018), entre muitas outras.

            De acordo com Adriana, a ausência de políticas públicas resulta em vários cães e gatos sendo constantemente abandonados e uma sobrecarga imensa das organizações de proteção animal e ativistas da causa que assumem para si a responsabilidade de livrar esses animais do abandono e do sofrimento.

            "Atualmente, existem apenas quatro centros de castração gratuita de cães e gatos na capital, o que não atende nem de longe à imensa demanda. Sem contar que a população demora a ser atendida, tendo que esperar até oito meses em média para que os animais por ela tutelada sejam castrados, período suficiente para reproduzirem-se, agravando o problema. O único castramóvel, adquirido em meados de 2005, não atende de maneira alguma a quantidade imensa de cães e gatos abandonados', explica.

            Adriana lamenta ainda pelo fim do programa Adote um Amigo. Segundo ela, o programa foi executado por organizações de proteção animal em parceria com a PBH destinando mais de 2.000 animais resgatados, castrados e microchipados à adoção responsável. "Infelizmente ele foi encerrado pela atual gestão, após sete anos de intenso trabalho voluntário, o que certamente agravará ainda mais a situação", lamenta.

            Segundo ela, o que é executado em termos de políticas públicas para o manejo populacional ético de cães e gatos é muito aquém do necessário. "Não vemos avanços reais, isto porque, quando se retira animais nas ruas em quantidade aquém do necessário e não de forma continuada e criteriosa, abre-se espaço nas ruas para a chegada de outros", conclui. 

O que faz a PBH

            A Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, informa que, de acordo com o censo animal realizado em 2017, há 404.784 animais domiciliados na capital, sendo 307.959 mil cães e 96.825 mil gatos. Quanto ao número de animais que vivem nas ruas, não existem estimativas oficiais da PBH.

            ONGs de defesa animal utilizam o percentual aproximado de que 10% da população domiciliada pode ser encontrada nas ruas sem supervisão de um tutor. É um dado com finalidade didática e indicativa da importância da educação para a guarda responsável e de desestímulo ao abandono de animais e maus tratos.

            O Centro de Controle de Zoonoses da Prefeitura - com sede na Rua Edna Quintel, 173, bairro São Bernardo, região Norte - 3277-7413 -  recolhe mensalmente uma média de 260 animais, entre cães e gatos. Os animais recolhidos são cadastrados, passam por avaliação clínica e recebem vacinação antirrábica, controle de ectoparasitas e endoparasitas e são microchipados.

            Caso o animal não seja adotado, ele retorna ao local próximo de onde foi capturado, para que não perca o vínculo com a comunidade. É importante frisar que o animal retorna em melhores condições, com controle reprodutivo, vacinas e protegido de parasitas. Essa rotatividade precisa acontecer para que outros animais tenham a oportunidade de passar pelos mesmos cuidados. 

            Atualmente, a Secretaria Municipal de Saúde conta com quatro Centros de Esterilização de Cães e Gatos (CECGs), que funcionam nos seguintes endereços:

  • Barreiro - Avenida Antônio Praça Piedade, 68, bairro Bonsucesso. Telefone 3246-2044;
  • Noroeste -  Rua Antônio Peixoto Guimarães, 33, bairro Caiçara. Telefone: 3277-8448;
  • Norte - Rua Edna Quintel, 173, bairro São Bernardo. Telefone: 3277-7413;
  • Oeste - Rua Alexandre Siqueira, 375, bairro Salgado Filho. Telefone: 3277-7576;

            O procedimento de castração é gratuito e classificado como cirurgia eletiva, ou seja, agendada. Para participar do programa, os animais devem ter no mínimo quatro meses de idade e no máximo oito anos. O agendamento pode ser feito presencialmente ou por telefone no CCZ ou em um dos CECGs.  A adoção de cães e gatos acontece nas dependências do CCZ, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.

           Procurada, a Prefeitura não explicou as razões que levaram ao fim do programa Adote um Amigo.

Quero ajudar

            Durante esta reportagem apresentamos histórias de alguns protetores que trabalham voluntariamente em prol destes animais que vivem nas ruas. Para continuarem com este relevante trabalho é muito importante a participação da comunidade. Abaixo estão os contatos nas redes sociais de algumas ONGs, as quais vale muito à pena conhecer o trabalho:

Facebook/Doação, Adoção de Animais e Resgate, Belo Horizonte e Região

Facebook/Doação e Adoção de Animais BH e Região

Facebook/Grupo Lares Temporários

Facebook/ Movimento Mineiro pelos Direitos Animais - MMDA

Facebook/Zombie Control Resgate

 

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