Belo Horizonte, segunda-feira, 1 DE junho DE 2020
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DO NOSSO BURITIS PARA BELO HORIZONTE


            Efigênia Vidigal. Alguns moradores que se mudaram para o bairro mais recentemente podem não conhecer este nome. Mas, na verdade, não há como contar a história do Buritis sem fazer referência a ele. Trata-se da educadora Efigênia Elias Vidigal, nascida no município de Acaiaca, no interior de Minas, mas que faleceu precocemente aos 44 anos de idade (1933/1977). Mesmo com o pouco tempo de vida, marcou seu nome na história da educação em Minas e, em especial, aqui no Buritis.

            Ela deu o nome ao Instituto Efigênia Vidigal, que nasceu no final da década de 70 por iniciativa de sua família. Ao final da primeira década deste século, a escola foi adquirida por outra instituição de ensino, hoje SEB/Unimaster. Mas em 2001 já havia sido criada a Associação Efigênia Vidigal de Educação e Cultura (AVEC), que completou 18 anos de vida no último mês de outubro. A instituição filantrópica, que nasceu dentro do Buritis, cresceu e chegou à maioridade com status de uma das mais respeitadas da capital, transformando vidas de crianças, jovens e adultos.

            A criação da AVEC foi por inspirada nas ações sociais  que eram realizadas por alunos e professores do antigo Instituto Efigênia Vidigal, como visita a asilos, campanhas do agasalho, doação de alimentos para famílias carentes e auxílio a entidades assistenciais da capital. Era um movimento tão intenso que as diretoras do colégio enxergaram que era necessário organizá-las por meio de uma entidade.

           Diante desse cenário, criaram, em 2001, a associação que, mesmo após a venda da escola, não poderia mais acabar. "Quando achavam que estávamos aposentando iniciamos um trabalho ainda maior. A AVEC é um grande orgulho. O trabalho voluntário por si só é gratificante, mas, para nós que somos educadoras, que trazemos essa aptidão no nosso DNA, é ainda mais especial", diz a diretora da associação, Alice Vidigal.

            Nos últimos anos a associação tem se destacado com os projetos de educação tecnológica. Crianças e adolescentes de escolas municipais estão tendo a oportunidade de trabalhar com equipamentos até então distantes da realidade deles. "Por meio desse trabalho queremos incentivá-los a buscar carreiras no ramo da ciência. Acreditamos que a educação e a tecnologia têm que ser acessível a todos", comenta a presidente Carmelita Vidigal, que ressalta ainda que a AVEC segue realizando projetos nas áreas de educação e assistência social. "Na cidade mineira de Acaiaca, terra do nosso pai e avós, contribuímos com diversas ações na área social e cultural".

            Para esse ano de 2020, o grande objetivo da AVEC já está traçado. Colocar alunos de escolas municipais na disputa da Olimpíada Brasileira de Informática. "O que a gente vê é que a competição se resume a estudantes de colégios particulares. Queremos mudar esse cenário. Tivemos tanto sucesso nos projetos já realizados que tenho certeza que iremos alcançar mais esse objetivo", destaca Carmelita.

História com o Buritis

            Se ainda estivesse em funcionamento a Escola Efigência Vidigal estaria completando com 40 anos. Sua primeira unidade foi instalada na Avenida Raja Gabáglia. Com o passar dos anos suas coordenadoras enxergaram que ela deveria se mudar para o Buritis. O bairro, ainda dando seus primeiros passos, não contava com nenhuma escola. A chegada do Efigênia significou uma grande mudança. "Me lembro como se fosse hoje. Adquirimos o terreno e construímos o prédio. Na época só havia mais um edifício naquela rua. Colocamos uma faixa com os dizeres: "aqui será a escola do futuro" e, de fato, foi. Hoje o Buritis é essa referência em educação", ressalta Maria José Vidigal, atual vice-presidente da AVEC, que recorda que na época, 1997, os pais falavam da felicidade em saber que o Buritis teria uma escola e que até os corretores de imóveis citavam a chegada do Efigênia Vidigal como uma forma de convencer clientes a adquirirem imóveis no bairro. "Era uma valorização do Buritis".

            Realmente, o Instituto Efigênia Vidigal não era apenas uma escola, era uma parceira do bairro. Quando o bairro ainda não tinha uma paróquia, a igreja católica fazia suas celebrações nas dependências da escola. E por muito anos o IEC foi a sede das reuniões da Associação dos Moradores do Buritis (ABB), além de dar apoio a diversos outros projetos do bairro.  

            Maria José enaltece ainda a qualidade educacional oferecida pela escola. Segundo ela, seus professores, além de serem apaixonados pela profissão, eram incentivados a se capacitarem para proporcionar aos alunos um aprendizado ainda melhor. "Nós pagávamos para eles fazerem cursos de qualificação e aperfeiçoamento. Uma coisa que me deixava bem nervosa era que todo fim de ano as escolas maiores vinham atrás deles. Ofereciam melhores salários porque sabiam que estavam contratando grandes professores. Me dava uma raiva", brinca.

            Essa qualidade na educação é uma das razões para que o nome Efigênia Vidigal não seja esquecido. "Ainda encontro pais que me dizem: minha filha se formou em medicina, meu filho é advogado, eu sou engenheiro, isso graças ao aprendizado no Efigênia Vidigal. Para uma educadora, ouvir isso não tem preço", diz Alice, emocionada.

            Apesar de a escola ter ganhado nova direção e nomenclatura no Buritis, o nome Efigênia Vidigal ainda se faz presente em um colégio da região. No vizinho Palmeiras temos a Escola Municipal Efigênia Vidigal, uma homenagem do poder público à irmã mais velha dessa família de educadores e grande responsável por dar início a esse legado. "Nossa irmã foi um grande exemplo a ser seguido. Apesar de ter falecido com apenas 44 anos deixou um legado gigantesco. Foi ela a fundadora da Escola Cecília Meireles e que nos abriu as portas para esse mundo. A prefeitura ter dado o seu nome à escola foi uma grande homenagem e a AVEC acabou a adotando para alguns projetos, como o apoio na alfabetização de crianças e a escola de pais, onde os pais participam de diferentes palestras com psicólogos e outros profissionais", informa Alice.

            Devido à seriedade do trabalho, a Associação Efigênia Vidigal de Educação e Cultura foi contemplada com verbas do Instituto EMBRAER, em uma disputa com entidades de todo o país. Contudo, a verba ainda é insuficiente para bancar todas as suas ações, uma vez que não recebe qualquer ajuda do poder público. Quem quiser conhecer mais a AVEC e ajudar nos seus projetos basta acessar o site avecmg.org.br. Ou ainda ligar no 2512-0903.

Conheça alguns projetos da AVEC

Liga da robótica

Na Liga da Robótica, alunos de escolas públicas de 10 a 14 anos participam gratuitamente de oficinas semanais em que aprendem os princípios básicos da programação e da robótica. Nas atividades do projeto são usados o software gratuito Scratch e Kits Lego. Os voluntários são graduandos de Engenharia e Ciências da Computação.

As oficinas de ambos os projetos acontecem aos sábados, pela manhã, em laboratórios e espaços cedidos por instituições parceiras. Todo o material de consumo, assim como as atividades impressas, é oferecido pela AVEC. Participantes e voluntários recebem certificados.

Esquadrão Quero-Quero

Equipes de alunos do ensino médio de escolas públicas de Belo Horizonte aplicam conceitos de Física e Matemática para construir miniplanadores com materiais diversos. Depois de vários encontros participam de uma competição em que os miniplanadores devem ser lançados a mão. Vence a equipe que obtiver o voo mais longo, na distância e no tempo.

É feita uma visita a cada escola para apresentar o projeto, solicitar a divulgação e a indicação de um professor cuja função é ajudar os alunos a se organizarem, se manterem focados e em dia com as tarefas. Os instrutores são voluntários, graduandos e profissionais da engenharia aeronáutica. As aulas consistem em uma apresentação teórica seguida de atividade prática.

Garotas Applicadas

Com o apoio do Instituto Embraer a AVEC realizou em 2019 o projeto Garotas Applicadas que tem o objetivo de oferecer atividades de empreendedorismo tecnológico a adolescentes e jovens do ensino médio de escolas públicas para atender ao ODS 5 – Alcançar a Igualdade de Gênero. Foram ações para promover a inovação e aumentar para elas as oportunidades para o exercício da liderança.

 
 
 
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