Belo Horizonte, domingo, 25 DE outubro DE 2020
O melhor jornal de bairro de Belo Horizonte.

DELEGADO DO BURITIS SE DESTACA NAS AÇÕES DO CASO BACKER


             Desde os primeiros dias do ano o Buritis ganhou as páginas dos noticiários em todo o país. Infelizmente, por um fato muito triste. Moradores, ou pessoas que passaram as festas de fim de ano no bairro, contraíram uma grave doença. Ao que tudo indica até o momento, o motivo foi o consumo da cerveja Belorizontina, fabricada pela indústria Backer. Alguns, inclusive, vieram a óbito.

          Neste triste caso por um momento o bairro ficou demonizado. O tratamento que a imprensa chegou a dar ao episódio era a “doença misteriosa do Buritis”. Houve até casos de pessoas que passaram a evitar frequentar o bairro com medo de algum tipo de contaminação. O bairro passou a ser alvo de chacotas e piadas de mau gosto nas redes sociais. O JORNAL DO BURITIS fez até um editorial em nossas redes para combater tamanha injustiça, abordando inclusive o desrespeito com as famílias que estavam sofrendo com a situação. Mas, felizmente, ficou esclarecido ao longo do mês que o Buritis não tinha nenhuma “culpa no cartório”.

          Foi constatado que a tal da “doença misteriosa do Buritis” era causada por uma substância tóxica chamada Dietilenoglicol, que provocou a Sìndrome Nefroneural. Entre os sintomas da síndrome nefroneural estão alterações neurológicas e insuficiência renal. De acordo com a presidente da Sociedade Mineira de Nefrologia, Lilian Pires de Freitas do Carmo, os primeiros sinais de intoxicação por dietilenoglicol são dores abdominais, náuseas e vômitos. O tratamento é feito no hospital, com monitoração, e tem o etanol como antídoto.

          Contudo, por mais que pareça improvável, o Buritis ainda conseguiu apresentar algo de muito positivo diante da tragédia. Um morador acabou ficando em destaque devido à sua intensa luta para desvendar o caso e, principalmente, evitar que mais pessoas pudessem se contaminar, contrair a doença e falecer.

            Trata-se de Flávio Henrique Ferreira Grossi, delegado-chefe da 18ª Delegacia Distrital da Polícia Civil de Minas Gerais, que atende o Buritis e região, que ficou  responsável por comandar as ações de investigação a respeito da contaminação da cerveja. Seus oito anos de experiência já o credenciavam para a árdua tarefa. Porém, a sua forte ligação com o Buritis foi um grande diferencial no desenrolar do caso.

            Flávio é morador do bairro desde 2006. Mudou-se pra cá após se casar e foi onde seu filho, hoje com nove anos, nasceu. Antes disso, formou-se em Direito no UniBH. Ao trocar poucas palavras com ele é fácil perceber o quanto ama o Buritis. Esse sentimento de pertencimento, como gosta de dizer, faz muita diferença no seu comprometimento no caso. "Eu vivo o Buritis intensamente. Vou à academia, aos restaurantes, faço compras, visito os parques. As pessoas infectadas fazem parte do meu cotidiano. Uma das vítimas fatais, inclusive, era vizinha do meu irmão. O que aconteceu com ele poderia ter acontecido comigo, com meus familiares".

            Ser morador do Buritis foi peça importante na ação rápida que, certamente, salvou muitas vidas. Ainda de férias, na noite de sábado, 4 de janeiro, quando começaram os comentários nas redes sociais do bairro sobre uma possível infecção, o delegado entrou em contato por telefone com, na época, possíveis vítimas, para já dar início às investigações. A coletiva de imprensa dada apenas quatro dias depois, pedindo para que a população deixasse de consumir a bebida, foi fundamental para evitar novos casos com possíveis mortes.

           Segundo ele, “a forma como se espalharam as notícias no início me preocupou, mas hoje o que aconteceu me conforta. Só através dessa integração de rede forte que o Buritis construiu foi possível ter uma resposta tão rápida. Não tenho como estimar o número de pessoas salvas, mas basta você observar a quantidade de pessoas que tinha a cerveja estocada e que não consumiu já dá para se ter uma ideia. Não tem uma pessoa que converso que não tem um amigo, ou ela mesma, com a cerveja estocada em casa".

            Outro fator fundamental ocorrido no caso, em virtude da ação rápida da delegacia, foi o alerta aos demais órgãos sanitários. "Foi a partir dali que a Vigilância Sanitária e o próprio Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento se atentaram para a gravidade do caso e interditaram a fábrica da Backer. Volto a destacar, se não fosse a junção dos moradores do Buritis talvez ainda hoje não soubéssemos as causas da infecção, e o caso não iria cair na nossa delegacia", salienta Flávio..

            As investigações da Polícia Civil, lideradas pelo morador do Buritis, ainda prosseguem. Elas passam desde abordagem a parentes de vítimas, a laudos técnicos das amostras dos lotes de cerveja e até ao pedido de exumação de um corpo. Até o fechamento desta edição, no dia 6 de fevereiro, seis pessoas haviam morrido em virtude da doença e outras 33 estavam em estado de observação. A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), do Ministério da Justiça, instaurou processo administrativo contra a cervejaria Backer. A empresa também já é alvo de um inquérito criminal e de um processo administrativo aberto pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que determinou a interdição da fábrica.

Outros feitos do morador

            Flávio Grossi, 37 anos, é delegado de polícia desde o ano de 2012. Antes, por cinco anos foi oficial da força aérea brasileira. Apesar de ser um apaixonado pela função anterior, sempre carregou consigo o desejo de se tornar delegado. Sua vontade é trabalhar para combater os crimes violentos. "É o que mais gosto de fazer. Luto por uma sociedade de paz. Antes de vir pra 18ª Delegacia trabalhei na Delegacia de Homicídios".

            Prova da preocupação do delegado com o aumento no número de homicídios são as operações realizadas na Vila Ventosa no ano passado. De acordo com Flávio, a localidade teve um crescimento de assassinatos e a ação ostensiva da Polícia Civil fez com que esta situação recuasse. "Não vou dizer que não houve mais homicídios, mas cessou o crescimento". As operações na Ventosa se destacaram tanto que Flávio foi homenageado pelo Ministério Público como destaque no combate à criminalidade violenta em aglomerados. A homenagem foi concedida pela Coordenadoria do Grupo de Intervenção Estratégica (GIE).

            No currículo do morador do Buritis ainda constam investigações que ganharam repercussão nacional. A mais famosa foi o Caso Ana Hickmann. "Eu estava na Homicídios na época e conduzi toda a investigação que chegou ao seu final em setembro do ano passado. Felizmente, todas as provas que juntamos foram fundamentais para o desfecho favorável ao cunhado da modelo e apresentadora, que agiu em legítima defesa".

            Também se destaca na carreira de Flávio Grossi a investigação no caso do estudante de medicina Henrique Papini, que foi espancado na porta de uma boate no bairro Olhos d''''''''''''''''Água, em 2016. "Através das provas recolhidas a juíza considerou que o acusado cometeu o crime de tentativa de homicídio duplamente qualificado, por motivo fútil e utilização de meio cruel. O acusado vai a júri popular".

            Além do reconhecimento do Ministério Público, o delegado do Buritis, também no ano passado, foi homenageado na Câmara Municipal de Belo Horizonte com a entrega do Colar do Inconfidente da Polícia Civil do Estado de Minas Gerais.

O melhor jornal de bairro de Belo Horizonte.

CONTATO

(31) 2127-2428 / (31) 99128-6880
Av. Prof. Mário Werneck, 1360, Lj 401 F, 4º andar, Shopping Paragem, Bairro Buritis - BH/MG
CEP30455-610 E-mail contato@jornaldoburitis.com.br

       
© 2018 Jornal do Buritis. Todos os direitos reservados.
desenvolvido por SITEFOX