Belo Horizonte, quarta-feira, 16 DE outubro DE 2019
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CRIMINALIDADE NO BURITIS E ESTORIL CAI PELA METADE


            Em agosto de 2017 o Governo de Minas Gerais anunciou a instalação de 86 Bases Comunitárias Móveis em Belo Horizonte. O programa fazia parte do projeto Segurança Comunitária e se apresentava como a mais nova estratégia da Polícia Militar para combater e reduzir os índices de criminalidade no Estado. O Buritis/Estoril foi um dos territórios contemplados com a implantação da Base na capital mineira. Passados dois anos, os resultados alcançados foram acima das expectativas. Além da redução da criminalidade pela metade na região, a Base se tornou um importante elo entre comunidade e PM.

            Localizada na Avenida Professor Mário Werneck, altura do número 1250, a Base Comunitária Móvel é constituída por uma van equipada com dois notebooks, seis câmeras de vídeomonitoramento, rádios digitais e equipamentos de segurança, além de duas motocicletas que fazem rota na região, mas que trabalham de forma integrada com a Base. A unidade do Buritis/Estoril ainda conta com uma importante ferramenta. Todos os vídeos gravados nas câmeras de monitoramento do Olho Vivo no bairro são exibidos nos equipamentos da van.

            De 01 de setembro de 2017 a 01 de julho de 2019 foram feitos 2424 registros na Base. Além de tentativas de furtos e roubos, a Base registra também acidentes de trânsito e extravio de documentos e produtos em geral. Aparentemente, um número alto de registros, mas considerado bom pelo comando da Polícia Militar, uma vez que a unidade atende a um público flutuante de cerca de 70 mil pessoas diariamente.

"A Base não atende especificamente aos moradores do Buritis e Estoril. Então, um estudante do UniBH que perdeu o celular dele a caminho da universidade, nós registramos a ocorrência dele aqui. Um acidente de trânsito envolvendo moradores de outras localidades, nós também registramos", explica o comandante do policiamento do Buritis e da Base, Tenente Edney.

            Para se definir o local para a instalação das Bases foi realizado um estudo por cerca de 12 meses. Os veículos estão em locais de visibilidade, maior incidência criminal, concentração de comércio, possíveis rotas de fuga e grande circulação de pessoas. A unidade do Buritis/Estoril atende a todos estes pré-requisitos. "Não teve nenhuma indicação ou influência política. A escolha foi técnica e planejada. Além do enorme movimento que temos nesta região, ainda estamos localizados de forma estratégica para evitar fugas por outras vias como, por exemplo, na Paulo Piedade Campos e José Rodrigues Pedreira".

Resultados

            Nestes dois anos de Base Comunitária Móvel os resultados têm superado as expectativas. Além de realizar seu principal objetivo, que é oferecer à comunidade um ponto de apoio policial perto de casa - até então, para se registrar um boletim de ocorrência, ou mesmo receber orientações, o morador do Buritis necessitava de se deslocar até a 126ª Companhia, localizada à Avenida José Laporte Neto, no Estoril, o que, muitas vezes, era considerado inviável pela gravidade da ocorrência -, a unidade tem se mostrado eficaz na redução da criminalidade na região, bem como na ação de prisão de marginais. Prova disso são os números de crimes no Buritis/Estoril este ano. De janeiro a junho, a média foi de cinco ocorrências por mês. Antes da implantação da Base, os números giravam em torno do dobro. "Não só a Base, mas a articulação com a comunidade e o estudo criminal feito pelo comando da PM  estão contribuindo com este sucesso".

            A instalação da Base ainda fez surgir uma situação que não havia sido prevista pelo setor de inteligência da Polícia Militar. Pelo menos no que se refere à unidade do Buritis, os militares pertencentes às duas equipes - oito no total, sendo quatro por plantão - se tornaram mais que agentes de combate ao crime. Eles se transformaram em verdadeiros confidentes dos moradores. "Muitos cidadãos já nos chamam pelo nome. Nos abordam na rua, nos ligam para relatar confidências, pedir conselhos. Isso é muito legal. Estamos mudando a visão que muitos tinham sobre os policiais, de que seriam opressores. Somos seres humanos, com sentimentos, iguais a todos", enaltece o militar.

                Ainda de acordo com o comandante, o sucesso das Bases Comunitárias Móveis nestes dois anos foi tamanho que cidades da grande BH como Contagem, Betim, Ribeirão das Neves, Vespasiano e do interior de Minas Gerais, Juiz de Fora, Uberlândia, Uberaba, acabaram sendo contempladas com a instalação de unidades.

Como utilizar

            A Base funciona diariamente das 14h às 23h30. Além disso, ela conta com uma central de atendimento pelo telefone 2108-4843. No entanto, é importante que o cidadão tenha a ciência de que, em caso de ocorrência urgente, o 190 é que deve ser acionado. "A central que receber a denúncia entra em contato conosco e, logo, iniciamos o rastreamento. Buscamos pelas câmeras de monitoramento as características dos bandidos e repassamos a todas as equipes. Nos últimos tempos, estamos tendo êxito em diversas operações". Segundo Tenente Edney, o sucesso nas ações realizadas em conjunto com a Base do Buritis chega a 70%.

            Além de todos os serviços citados ao longo da reportagem, a Base Comunitária Móvel do Buritis ainda inovou com a realização de novas operações. Em parceria com a comunidade, que oferece abrigo para o armazenamento de cones e cavaletes, os militares das motocicletas conseguem fazer blitze surpresas no bairro. "De moto eles não têm como carregar os materiais, aí seria possível as operações apenas com viaturas. Com este suporte da comunidade, os policiais chegam, retiram os cones, e já implantam a blitz. Desta forma, podemos fazer várias, rápidas, e em pontos estratégicos, como por exemplo, na Avenida Deputado Cristovam Chiaradia, importante rota de fuga que dá acesso ao Anel Rodoviário. Isso significa relação de interação, confiança e otimização do serviço", destaca.

            Outra interação importante entre Base e comunidade é o contato direto mantido pelas equipes com as redes de segurança do bairro – Vizinhos, Comércio e Condomínios. Inclusive, algumas reuniões, dependendo da emergência e do número de participantes, acontecem na própria unidade móvel.

População reconhece melhora na segurança

            Morador do Buritis, o técnico em manutenção, Almir Alves, enche de elogios a instalação da Base Comunitária Móvel no bairro. De acordo com ele, este serviço mudou a visão de muitas pessoas em relação ao trabalho da Polícia Militar. "É uma proximidade que, até então, não existia. E quando digo proximidade, falo em todos os sentidos: de distância, uma vez que as companhias ficavam muito longe, e de acolhimento, já que a forma como nos tratam é muito cordial".  

            Quem também não tem o que reclamar da instalação da Base são os comerciantes da região. Desde que ela foi implantada a sensação de segurança aumentou de forma considerável. "A minha loja é a última fechar aqui. Saio por volta das 20h. Teria muito medo de ficar sozinha, mas com  a presença dos militares fico bem tranquila", diz a funcionária da Chilli Beans, Verônica Silva. Acompanhando de perto o serviço desde a chegada da Base, a proprietária da loja Pé ante Pé, Fabiana Tannous, fala da mudança de cenário na região após a instalação. "Não se vê mais roubos, não há menores infratores que, algumas vezes, não furtavam, mas nos tratavam com desrespeito, nos intimidavam. Com certeza, a presença da Base inibe a ação".

            Funcionário da Buritis Cartuchos, Magno Malta ressalta ainda a forma educada com que os militares se dirigem a todos os cidadãos, comerciantes ou não. "São sempre muito atenciosos, educados. Muitas vezes, nem parece que estão aqui para reprimir os criminosos. Estão todos de parabéns. Espero que mais bairros de BH contem com este atendimento".

Exemplo de ação

            Prova do bom trabalho desenvolvido com o apoio da Base Comunitária Móvel foi a prisão de dois homens no último dia 18 de julho. Nesta data, por volta das 21h, uma mulher foi abordada por dois marginais na Rua Henrique Badaró Portugal, os quais lhe apresentaram o que supostamente seria uma arma de fogo. Em seguida, tomaram seu veículo de assalto e fugiram pelo bairro.

Acontece que eles não esperavam pela rápida ação dos militares da Base que, em apenas dez minutos de iniciada a operação de cerco e bloqueio, localizaram o veículo nas proximidades do restaurante Rancho Fundo e fizeram a captura dos bandidos, bem como a recuperação do automóvel. Participaram da operação os soldados Damasceno e Giarola, que estavam nas motocicletas, e Cabo Henrique, que saiu da Base à pé para fazer cobertura.

            Vale ressaltar que ainda fazem parte das equipes da Base Comunitária Móvel os seguintes profissionais: Sargento Marina, Soldado Otacílio e Cabos Erick Frassi, Valadares e Victor. Todos são policiais, mas já são tratados pela comunidade como verdadeiros “Anjos da Guarda”. 

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