Belo Horizonte, terça-feira, 11 DE agosto DE 2020
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COMERCIANTES DO BAIRRO ESTÃO NO LIMITE


            Foi com surpresa e muita indignação que os comerciantes do Buritis receberam, no último dia 26 de junho, a decisão do prefeito Alexandre Kalil (PSD) de que as fases da flexibilização do comércio na capital não somente haviam sido interrompidas, como todas as anteriores também seriam suspensas. Apenas os serviços essenciais tiveram a permissão de funcionar, assim como havia acontecido no primeiro decreto de suspensão das atividades ocorrido no dia 20 de março.

            Como justificativa para o recuo no processo de reabertura do comércio em Belo Horizonte, a gestão do município pontuou que o avanço ou o retrocesso das etapas depende diretamente dos indicadores etimológicos avaliados, entre eles está a taxa de ocupação dos leitos das Unidades de Terapia Intensiva (UTI), que teria aumentado de forma considerável após o início da flexibilização. Acontece que para muitos comerciantes eles estão pagando esta conta sozinhos.

            Antes mesmo do início da flexibilização, no dia 05 de maio, vários comerciantes do Buritis organizaram uma manifestação em que cobravam do poder público a reabertura gradual e segura do comércio. Àquela época já sofriam com a falta de receita e a iminência de terem de fechar as portas. A ação chegou a ser questionada por moradores que, assim como agora, aprovam a decisão do prefeito, acreditando que esta seria a melhor forma de conter o avanço da doença.

            No entanto, algumas opiniões são fortes e não condizem com a realidade. Ao contrário do que alguns pensam, diferentemente dos grandes empresários, os comerciantes de bairro estão na linha de frente de contágio. Na maioria das vezes, é ele quem abre e fecha as portas, faz o caixa, atende os clientes e até mesmo ajuda na limpeza da loja.

            Viviane Santiago é proprietária da Pink Buritis (Avenida Professor Mário Werneck 1411). Antes da pandemia, todos os dias abria e fechava sua loja. Está sempre ao lado de suas duas funcionárias. Seu único desejo é poder voltar a trabalhar, claro, respeitando todos os protocolos de segurança. "Eu sou a primeira a preocupar com a saúde. Minha e dos meus clientes. Estou em contato direto com todos na loja, além de fornecedores e prestadores de serviço. Viajo para comprar mercadoria. Se não fosse possível fazer estas  tarefas com toda a segurança não iria me impor ao decreto”, garante.

            Proprietária da Aleluia Modas (Avenida Professor Mário Werneck 1421), Vanessa Castro também não passa um dia sequer sem ir à sua loja. No local é um verdadeiro “chão de fábrica”. Coordena, atende, organiza peças e, se precisar, lava e varre o chão. Sua presença na loja é importante até mesmo para estar com as clientes que, muitas vezes, querem ser atendidas por ela. “Realmente eu vejo muita gente questionando que os empresários são exploradores, que não se preocupam com a saúde dos funcionários. Eu me preocupo muito. Com a delas e com a minha. Sou mãe, tenho filhos pequenos em casa e não arriscaria a vida deles. Inclusive, fui a favor de fechar as lojas no início para conter o volume de pessoas nas ruas, mas agora já contribuímos com nossa cota”.

            De acordo com Vanessa, a abertura das lojas de bairro não irá afetar em nada o trabalho de controle à pandemia, até porque, segundo ela, o que não vai haver nestes estabelecimentos é aglomeração de pessoas. “Aqui podemos controlar a entrada de clientes, que seja um por vez. Em relação a experimentar as roupas, que é outro receio das autoridades de saúde, todas as peças aqui são higienizadas e o cliente tem à disposição álcool em gel para fazer a limpeza das mãos assim que tocar em alguma delas”.

Futuro

             O chamado novo mundo após a pandemia também é uma grande preocupação para as empresárias. Porém, garantem que se não voltar a trabalhar é bem provável que não irão vivenciar esse novo tempo como comerciantes. “Meus produtos são de baixo valor, vendo brincos a R$10, não tenho como trabalhar on-line, agregando valor de entrega. No momento minha receita é zero e tenho de custear despesas com 50% de aluguel e, por enquanto, 30% do salário das funcionárias. Meu fundo de reserva está chegando ao fim e não me vejo com sobrevida por muito mais tempo”, lamenta Viviane, que teme ainda por uma demissão em massa após o fim do pagamento do auxílio de 70% dos salários por parte do Governo Federal. “Aí teremos uma crise social sem dimensões”.

             Vanessa até que tem conseguido pagar as despesas com a venda on-line, que era algo que sua loja já disponibilizava aos clientes. No entanto, lucro não tem há mais de cem dias. Mas, apesar de todas essas dificuldades, não deixa de ser otimista. “Está muito difícil para todo mundo, mas ainda vejo as lojas no Buritis vivas. Nosso bairro é forte. Em outros bairros já vi que fecharam. Acredito ainda que o comércio vai voltar a abrir de forma gradual e que vamos conseguir encerrar o ano. Lucro só mesmo em 2021”

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