Belo Horizonte, sábado, 17 DE novembro DE 2018
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BURITIS AINDA PRECISA MELHORAR A ACESSIBILIDADE


            O JORNAL DO BURITIS sempre teve como sua linha editorial mostrar tudo de bom que o nosso bairro oferece. No entanto, isto não significa que fechamos os olhos para os problemas que ele ainda possui, como por exemplo, a falta de acessibilidade para o cadeirante, e pior, a falta de educação que muitos moradores ainda demonstram. Nossa reportagem passou um tempo com o casal Ricardo Batista e Cláudia Viana, pais da Cecília, portadora de síndrome de Rett (doença caracterizada pela perda progressiva das funções neurológicas), e pôde observar o quanto a vida deles é difícil, mesmo com todas as obrigações legais referentes à acessibilidade e o vasto trabalho de conscientização e respeito existentes nos dias de hoje.

            O Buritis geograficamente é um bairro com características que não são as melhores para o cadeirante. Formado por morros dificulta muito a locomoção de quem necessita usar cadeira de rodas. Entretanto, algumas situações poderiam ser bem diferentes. Muitas calçadas não possuem rampas de acesso e, em outros locais onde há, não existe uma continuidade. "A gente passa por uma rampa, mas aí não tem outra à frente. Não basta um fazer, se todos não fizerem, não adianta nada", diz a psicóloga Cláudia, que reclama ainda dos passeios com degraus. "Estes são um verdadeiro perigo. Uma vez caí com a Cecília devido ao declínio. Por sorte não nos machucamos sério".

            Já o engenheiro Ricardo cita vários os problemas que encontra no dia a dia em espaços públicos e comércios. Segundo ele, os empresários não têm atenção com o cadeirante. "Parece que eles acham que fazer um banheiro acessível basta. Na maioria das lojas não consigo transitar entre os corredores com a Cecília. No nosso caso eu vou até o produto e pego, mas e o cadeirante que está sozinho? Política pública de acessibilidade é permitir que todos consigam ir e vir".

            Ricardo lamenta que no Buritis, por ser um bairro novo, não haveria desculpa para não haver uma maior acessibilidade no comércio. "Tem lugares inaugurados há poucos anos que têm uma rampinha na entrada e só. Chega lá dentro temos que lidar com escadas e outros empecilhos". O engenheiro acaba fazendo um apelo aos consumidores. "Eu gostaria que as pessoas, especialmente as que não passam por dificuldades de locomoção, prestigiassem as lojas que se preocupam com esta questão, valorizassem estes estabelecimentos e dissessem ao comerciante que estavam comprando ali por conta disso. Acredito que só assim o empresário teria uma outra visão a respeito do problema".

Falta de respeito

            Mas, se a falta de acessibilidade é algo que incomoda, a falta de respeito traz uma grande tristeza. Difícil de imaginar que ainda hoje tem pessoas que não respeitam os direitos do deficiente. Porém, elas existe e estão em maior número do que se possa imaginar. Ao andar com Cecília e seus pais nos deparamos com vagas de deficiente na rua e em estacionamentos ocupadas. Para evitar este problema, alguns comerciantes chegaram a colocar cavaletes sobre as vagas, o que também não resolve o problema. "Sei que eles querem o nosso bem, mas aí tenho de descer do carro, retirar o pesado cavalete, estacionar, e depois colocá-lo em algum lugar. Uma pessoa com dificuldade de locomoção, que estiver sozinha, não consegue fazer isso", explica Ricardo.

            No momento da reportagem presenciamos mais uma infeliz situação. Em um ponto bastante movimentado da Avenida Mário Werneck, uma motorista parou o carro em cima do passeio, obstruindo a passagem destinada a cadeirantes. Mesmo sendo alertada, não retirou o automóvel do local. A polícia militar foi acionada e a senhora saiu apenas após levar uma multa. "É triste chegar a este ponto e a mulher ainda sair debochando. Isto não é um desrespeito ao deficiente é um desrespeito à cidadania", exalta Cláudia que, por conta própria, elaborou um folheto, que ela chama de multa moral, o qual coloca no pará-brisa de todos os veículos que estiverem ocupando vagas de deficiente. "Eu acredito que este puxão de orelha possa conscientizar alguns motoristas. Se eu mudar o pensamento de um, já terá valido muito à pena".

Positivo

            Apesar dos diversos problemas, o nosso Buritis tem algumas situações a comemorar. Moradores no bairro há mais de 20 anos, o casal ainda enxerga aqui um dos melhores lugares da cidade para criar Cecília. "Aqui ela faz muitas atividades como natação e musicoterapia. Além disso, o serviço delivery é muito bom, o que nos permite fazer várias coisas sem sair de casa", diz o engenheiro. "Observamos esta questão da falta de respeito, mas a maioria dos moradores é de gente do bem. Gosto muito da vizinhança e sei que tem muitos que estão comigo nesta luta", completa a psicóloga.

            Ainda de acordo com o casal, outro ponto a se destacar no bairro é que, para quem necessitar, o UniBH oferece diversos atendimentos na área de fisioterapia de forma gratuita. "Felizmente temos condições de oferecer um atendimento particular à Cecília, mas tenho conhecimento do trabalho de qualidade que é oferecido na universidade. Que bom que ela está no nosso bairro", conclui Cláudia.

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