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População quer o estacionamento rotativo

               O impasse gerado entre o crescimento da demanda de veículos e a falta de espaços urbanos obriga o poder público a adotar medidas que viabilizem o acesso da coletividade aos locais de representativo fluxo de pessoas e veículos. A cobrança do estacionamento rotativo constitui, hoje, peça importante para que a mobilidade urbana ocorra, ao menos, com o mínimo de qualidade para atender à população. Em Belo Horizonte, várias regiões de grande comércio, dentro e fora do hipercentro, já contam com o rotativo. O Buritis, apesar de seu tráfego intenso, especialmente na Avenida Professor Mário Werneck, ainda está fora da zona de cobrança. Para muitos motoristas que convivem com esta dificuldade diariamente chegou a hora de mudar!

            Os veículos estacionados têm tanta responsabilidade na definição deste complicado quadro quanto aqueles que estão circulando, uma vez que influenciam no bom andamento do trânsito. O número de motoristas que deseja estacionar é, na maioria das vezes, muito superior às vagas disponíveis. A partir disso, ocorre uma das duas opções: as pessoas desistem e vão embora ou para estacionamentos pagos, ou então param irregularmente, seja em fila dupla, sobre a calçada, ou mesmo em locais onde é proibido estacionar. Qualquer um desses procedimentos é extremamente prejudicial ao trânsito, pois compromete a fluidez e coloca em risco a segurança dos pedestres.

            Uma das maneiras de trabalhar com a acessibilidade é fazer um plano de estacionamento que procure fornecer o máximo possível de vagas dentro de condições mínimas de fluidez. Em função disso, principalmente nas áreas que concentram comércio e serviços, o estacionamento é regulamentado. Uma das técnicas mais comuns adotada para este fim é a do estacionamento rotativo que representa solução, ainda que paliativa, para que um maior número de pessoas possa usufruir do espaço público em condição de revezamento e, assim, realizar suas atividades diárias. Então, por quê não adotá-lo no Buritis?

            O marceneiro Lázaro Lopes tem como maior carta de clientes comerciantes da Mário Werneck. Toda vez que vai prestar seus serviços precisa rodar muito para encontrar uma vaga, quase sempre bem distante de seu destino. "Perco muito tempo e ainda estaciono longe. Quando tenho que levar ferramentas e materiais então, é um sufoco. Muitas vezes optei por parar de forma irregular e ficar sujeito a ser multado". Para Lázaro, passou da hora de se cobrar o rotativo no Buritis e também aumentar o número de vagas de carga e descarga. "Se não tomarem estas duas atitudes não vai ter mais como trabalhar no bairro", indaga. 

            Comerciante na avenida, Robert Gouvea também acredita que chegou a hora de implantar o sistema rotativo no Buritis. Segundo ele, o comércio do bairro está perdendo muitos clientes por não oferecer vagas para estacionar. "Os recuos existentes em alguns pontos da Mário Werneck não estão sendo ocupados por clientes e como a calçada não pode ser utilizada, muitos optam por ir embora sem fazer a compra. Quem tem a oportunidade de oferecer estacionamento para o cliente vai se sobressair, quem não tem corre o risco de fechar as portas", lamenta.

            O motorista Eduardo Cecílio transita diariamente nas principais ruas do Buritis. Para evitar multas e até reboques, acaba tendo de estacionar seu carro bem distante do local onde deseja ir. "Não consigo estacionar e, dependendo do horário, também não consigo andar de carro. Não sou um especialista, mas tenho certeza que isto não está certo. Que se coloque um rotativo na avenida, mas este problema tem de ser solucionado", ressalta.

Olhar do especialista

            Mestre em transportes e conhecedor da situação do Buritis, Osias Baptista tem uma opinião favorável à implantação do sistema rotativo nas regiões de forte comércio do bairro. De acordo com ele, o crescimento de uma área faz com que cada espaço no trânsito fique bastante disputado e, ao contrário do ideal que seria prestigiar quem vai fazer uma parada rápida, acaba estacionando nas vagas quem ficará no local por muito tempo, que é o caso de empresários e universitários. Segundo o especialista, a cobrança do rotativo disciplina esta situação. "Quem vai ficar muito tempo no local pode parar mais longe. Ele tem a possibilidade de perder 20 minutos do seu dia para chegar ao seu destino que não fará efeito. Já quem for parar para ir ao banco ou fazer uma compra, de 15 minutos por exemplo, terá um grande problema".

            Além de garantir maior possibilidade de acesso e fomentar o comércio, o sistema rotativo ainda resulta em outras importantes melhorias no que diz respeito à mobilidade urbana, de acordo com Osias. Uma delas é que o transporte público tende a ser mais valorizado. "Uma pessoa que vai fazer uma saída rápida não vai dispensar o carro, mas quem vai passar horas em um local pode. Ele irá organizar seu horário, pegará o transporte na hora certa e não irá se preocupar com o veículo. O uso do transporte público gera um grande alívio ao trânsito", diz.

            Outra situação favorável é em relação às ruas que se tornam um "grande estacionamento" e o trânsito simplesmente não anda em determinados horários. "Tem morador que pede para ter rotativo em frente à sua casa, já que não consegue se locomover em horários de pico. As ruas próximas às faculdades são um exemplo claro", finaliza.

Proibido estacionar

            Ligação direta com a necessidade de se implantar o sistema rotativo no Buritis estão as placas de proibido estacionar. Estas também têm provocado revolta a muitos moradores, tanto que foi uma das sugestões de reportagem enviadas ao JORNAL DO BURITIS. As placas, simplesmente, não conseguem agradar a ninguém. Comerciantes estão perdendo clientes, motoristas que não as respeitam estão sendo multados, e a possível melhora no trânsito não existe, uma vez que a pista não tem o ganho de mais uma faixa.

            Proprietária de um restaurante na Avenida Mário Werneck, Tatiana Mendes teme ter que encerrar seu negócio devido à proibição de estacionar em frente ao seu comércio. Como não conseguem parar o carro, muitos clientes optam por um outro lugar para almoçar. Tatiana diz não ser contra a proibição se for para melhorar o trânsito, no entanto, a prefeitura deveria ter o bom senso para permitir o acesso de carros no local. "A calçada aqui é grande, os carros poderiam estacionar em 45º, sem atrapalhar os pedestres. Poderia haver o recuo do passeio, ou ainda um rotativo. Acredito que possibilidades existem, basta ter força de vontade", pontua.

            De acordo com Tatiana, em frente ao seu restaurante não há nem mesmo um ponto de carga e descarga. Como muitas vezes precisa estacionar para descer mercadorias, já perdeu as contas quantas multas levou. "Foram tantas que perdi minha carteira duas vezes. É uma situação muito difícil".

Resposta da BHTrans

            A reportagem do JORNAL DO BURITIS entrou em contato com a assessoria de comunicação da Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte - BHTrans, para saber a respeito de uma possível implantação do sistema rotativo no bairro. A informação oficial dada é de que "no momento, não há estudos de rotativo para a região do Buritis e que não tem conhecimento se houve algo a respeito no passado".

 
 

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