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Comerciantes do Buritis ainda adotam a velha caderneta

Comerciantes do Buritis ainda adotam a velha caderneta

Uma antiga tradição ainda está presente no comércio do bairro

              O Buritis é mesmo um lugar especial de se morar ou trabalhar, enfim, viver nesta parte da cidade é um aprendizado contínuo. Aqui as pessoas ainda se respeitam e confiam uma nas outras. É por isto que uma velha tradição, principalmente, nas pequenas cidades do interior ,ainda se faz presente em boa parte do comércio do bairro, é a velha caderneta. Porém, hoje em dia não existe mais aquele caderno gigante, onde eram anotados os nomes, os produtos adquiridos, o preço e a data do futuro pagamento. 
                Segundo a proprietária da loja Dunne e moradora do bairro há 11 anos, Cláudia Barcellos, a relação de confiança entre comerciante e clientela se constrói com o passar do tempo. “Aqui na loja eu só permito que a pessoa leve o produto para casa e me pague depois quando eu já tenho uma intimidade com a compradora. Isto só acontece quando já conheço bem a índole de quem vai comprar”, ressalta. “Já estou aqui na Mário Werneck há cinco anos, nunca tive problemas com calote, nunca peguei um cheque que não tivesse fundos”, ressalta.
                Já Cristina Dias, sócia-proprietária da loja Bola de Gude, especializada em roupas de 0 a 18 anos, e há 12 anos presente no bairro, diz que já teve alguns prejuízos durante o tempo. “Aconteceu somente duas vezes e o desfalque girou em torno de R$ 700,00. Como forma de me prevenir, hoje em dia eu coleto algumas informações básicas sobre os clientes e também faço algumas pesquisas nos órgãos competentes”, afirma. Apesar de já ter vivenciado estes problemas, Cristina Dias revela que também permite as compradoras mais antigas levarem os produtos para casa, antes mesmo de ser efetuado o pagamento. Geralmente isto acontece porque elas gostam de levar para que os filhos possam experimentar as roupas.  
                De acordo com Cláudia Barcellos, a vida no Buritis se compara e muito com a vida de quem mora em cidades pequenas. “Aqui eu conheço quase todo mundo, encontro com as clientes na porta da escola, supermercados, bares, tudo isto faz com que a nossa confiança aumente nas pessoas. Este contato ajuda muito, por isto eu permito que as frequentadoras mais antigas levem roupas para casa, assim podem experimentar com mais tranqüilidade”, enfatiza.
Cristina Dias ressalta que hoje em dia é muito difícil confiar nas pessoas, pois tem muita gente querendo se dar bem em cima dos outros. “É tanta coisa que a gente fica sabendo, ouve no rádio ou vê na televisão que dá para ficar chocada. Mas aqui no Buritis é um mundo meio à parte de tudo isto, quase todo mundo se conhece, eu mesmo encontro minhas clientes, muitas vezes, nas agências bancárias, supermercados, cinemas, com isto cria-se um vínculo mais forte”, explica.
                Nada melhor do que poder morar em um bairro que ainda consegue manter estas tradições, que nem mesmo nas cidades do interior andam encontrando mais, e acima de tudo um lugar onde as pessoas ainda acreditam uma nas outras. Para isto o respeito é fundamental. Segundo Cláudia Barcellos, muitos comerciantes do bairro também fazem a mesma coisa com ela quando está na posição de cliente. “Muitos lugares que eu frequento também me permitem levar produtos para casa, aceitam pagamento para uma data específica. É uma atenção que faz toda a diferença para ambas as parte”, afirma.
                Para Cristina Dias, quando a pessoa entra na loja pela primeira vez, ela será tratada como todo mundo, com muita educação e profissionalismo. “Mas antes de começar a propiciar alguns privilégios ao comprador é necessário fidelizar o cliente. Isto demanda tempo, até porque a confiança se conquista aos poucos”, finaliza.  

 
 

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