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A PICARETAGEM ESTÁ DE VOLTA

A picaretagem está de volta

“Corretores” de imóveis voltam a encher

o bairro com faixas de imóveis

No ano passado, o JORNAL DO BURITIS entrou numa campanha ferrenha contra os sujões do bairro. Em uma região tão bela como a nossa, bastante arborizada, o visual do bairro  passou a ser muito poluído por causa dos engenhos publicitários, principalmente por causa das faixas. Para quem não se recorda, começamos a campanha em janeiro de 2010 mostrando as faixas de estabelecimentos comerciais que insistiam em desrespeitar a lei e poluir o bairro.

Mas estes comerciantes viram que os moradores começaram a aderir à campanha, boicotando quem usava o bairro de maneira desrespeitosa. O resultado desse boicote por parte dos moradores/clientes foi uma queda nas vendas dessas empresas a ponto de eles recuarem, não colocando mais faixas no bairro.

Após esta etapa vencida pela comunidade, começamos a caça aos corretores picaretas, que, mesmo sabendo da proibição, infestaram o bairro durante meses com as faixas distribuídas pelos pontos mais movimentados do Buritis. Após várias reportagens denunciando os sujões do ramo imobiliário eles também recuaram.
Mas, infelizmente, essa aparência de um bairro limpo durou pouco. Dois meses após o término da campanha, em janeiro deste ano, o bairro voltou a ser infestado no mês de março. Em abril, a situação se agravou ainda mais. E é por isso que a campanha contra os sujões está de volta.

REFORÇO CONTRA OS SUJÕES
Nossa campanha desta vez já começa com um grande apoio. A maioria das imobiliárias do bairro, mostrando respeito por onde conseguem seu ganha pão, se uniram contra essa estratégia picareta. Segundo o empresário Frederico Padovani , da VPR Imóveis, recentemente aconteceu uma reunião entre as principais imobiliárias da região para discutir o assunto, mas o maior problema são as imobiliárias menores que, muitas vezes, nem estão no bairro.

“Fizemos um acordo verbal de que todas se uniriam para combater o uso das faixas no bairro. O problema maior são as imobiliárias e corretores de fora do bairro. Muitas imobiliárias fazem uma maquiagem, colocando telefones de corretores. Na hora que estouram as denúncias, eles alegam que não estão sabendo de nada”, explica.

Quando isso acontece, ainda pode ser considerado menos mal, já que a preocupação mesmo, segundo Frederico, são com os golpes que muitas vezes acontecem neste tipo de propaganda. Este alerta já havia sido dado pela Câmara do Mercado Imobiliário (CMI), durante a primeira campanha do JB contra os sujões. Na época, a instituição alertava quanto aos preços surreais divulgados. Uma das faixas, por exemplo, anunciava uma cobertura no Buritis, com 220m/2 por R$280 mil, valor totalmente abaixo da tabela de mercado.

De acordo com a gerente administrativa e financeira da Câmara do Mercado Imobiliário (CMI), Edilaine Dutra, que também faz um trabalho de conscientização contra esse tipo de oferta, esta espécie de “promoção” pode se tratar de golpe.

“Geralmente quem anuncia em faixa coloca celular e não fixo, o que complica a localização em caso de algum problema. Com isso, o comprador fica em risco. Vale lembrar que a maioria desses vendedores são autônomos que não têm credenciamento, não tem registro. E se o comprador for lesado, pode buscar um recurso, mas não consegue”, explica.

Outro fator apontado pela gerente da CMI, é que o comprador paga mas não leva em alguns casos. Estelionatários se passam por donos do imóvel e conseguem tirar dinheiro das vítimas sem que elas adquiram o imóvel. “Para adquirir o imóvel, a pessoa interessada dá um sinal e quando vai verificar, o imóvel está irregular ou até mesmo pertence à outra pessoa. Para isso, o golpista se passa por comprador, pega a chave do verdadeiro e mostra para uma terceira pessoa. É onde ela consegue esse dinheiro do sinal. Ou seja, quem acha que está comprando um apartamento barato, na verdade pode estar é caindo em um belo golpe”, conta Edilaine.

Como as faixas afixadas nos últimos meses são muitas, nossa reportagem ligou para três telefones anunciados. Em dois casos, são corretores da imobiliária Drummond Imóveis e Bihain Imóveis. O último caso levantado foi de um “corretor” autônomo, que disse ser vendedor de carros, mas a pedido de uma cliente teria também entrado nesse setor, sem nenhum registro, aumentando a periculosidade do negócio.

Segundo Frederico Padovani, com a ajuda da CMI e com a união das imobiliárias no bairro, a expectativa é que problema seja resolvido. “A CMI fornece o telefone de um funcionário que, ao ser chamado, vem e retira essas faixas. Estamos também reunindo um grupo com a intenção de contratar um motoqueiro para ficar durante algumas horas por conta da retirada das faixas no bairro. Onde existe esse tipo de união, a fiscalização tem dado certo. E o primeiro passo é uma reunião no dia 18 deste mês, onde estamos convidando os representantes de todas as imobiliárias do bairro”, completa.

 
 

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