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Teatro de rua volta ao Buritis em abril

Teatro de rua volta ao Buritis em abril

No mês em que se comemora o Dia do teatro, conheça história de Bruno Tonelli, morador do Buritis que dedica toda a sua vida em prol de levar alegria e emoção às pessoas

Março é um mês em que se comemora muitas datas importantes. Entre elas está o dia do teatro. Em um bairro onde há tantos artistas e movimentos culturais, não poderíamos deixar esta data passar em branco. Para lembrar em alto estilo o momento, o JB conversou com um morador que dedicou praticamente sua vida inteira às artes, em seus vários estilos e formas.

Bruno Tonelli, morador da rua Dr. Lucídio Avelar, é ator, músico, poeta e palhaço. Segundo ele, tudo isso está interligado de alguma forma, mas é o circo o que lhe dá mais emoção. “Nunca estudei formalmente, minha escola foi o palco. A paixão pela arte vem desde muito criança, quando meu pai, que era músico, me levava para shows, teatro e circos. Daí vem minha grande paixão, principalmente pelo circo, que tem essa característica de alegrar, de emocionar as pessoas”, diz.

Para ele, a arte circense tem a característica de “tirar as máscaras”, enquanto atores teatrais “colocam as máscaras”. “Nada é mais real que o circo. Um palhaço se solta, deixa florescer os diversos lados de uma pessoa, enquanto no teatro a pessoa é completamente diferente da vida real”, opina.

A carreira de Bruno começou na música, mas não apenas tocando e sim usando características cênicas para deixar os shows com cara de espetáculo. “Sempre procurei explorar as apresentações cenicamente. Isso significa introduzir elementos teatrais nas apresentações, poesias, abuso ao máximo do meu conhecimento nas apresentações musicais”, relata.

Mas como um artista empolgado, dinâmico, autodidata e eufórico, como demonstra ser, isso ainda é muito pouco na carreira de Bruno. Como sua paixão é mesmo o circo e a busca constante por deixar um legado cultural para os novos artistas do futuro, Bruno faz parte de um grupo teatral que inclusive já fez apresentações na praça Aroldo Tenuta, aqui no Buritis. “Através do nosso grupo, o 7 Estrelo, fundimos tudo: música, teatro, poesia, circo, elementos de performance, dança e evolução visual, que é cênico também. Inclusive a partir de abril estamos trazendo mais uma vez o projeto ‘Qua, Quará, Quaquá’, inclusive para a praça Aroldo Tenuta, que é maravilhosa e um dos principais palcos de teatro de rua de Belo Horizonte. Fizemos esta mesma apresentação aqui uma vez e  o público do Buritis adorou”, lembra. As datas ainda não foram definidas.

Na ocasião, o projeto foi apresentado com recursos dos próprios artistas, mas graças a um prêmio recebido pelo 7 Estrelo, desta vez eles ficam em cartaz pelos teatros de rua da capital durante três meses. “O prêmio ‘Artes Cênicas das Ruas’, promovido pela Funarte, é realizado pelo coletivo de palhaços de BH. Ele é um fundo reservado para projetos culturais e nós fomos contemplados com o nosso projeto neste ano. Com isso, vamos realizar aos domingo 18 espetáculos em três praças, sendo duas em BH e uma em Mariana. A ideia principal deste projeto é criar uma relação mais próxima com o público. O teatro de rua tem esta característica, de aproximar a arte das pessoas e elas se tornarem co-autoras da peça, inclusive uma das grandes maravilhas está nesse improviso que há, tonando a magia do evento ainda maior”, destaca Bruno.

Mas apesar de tanta magia, emoção e alegria que o teatro e a arte provocam, muitas vezes pela não valorização as dificuldade são muito grandes. Mas para Bruno isso não é empecilho, principalmente porque, segundo ele, a recompensa é muito maior. “Busco deixar um legado de alguém que deu sua energia pela arte, pela cultura. Eu costumo falar que não sou humano, mas, sim, estou humano. E acredito que todo mundo está aqui por alguma razão. E a minha é criar e fazer arte, levando emoção e alegria a público”, finaliza o artista.
 
O teatro como recurso de inserção social 
 
O ser humano traz consigo predisposição inata para representar e imitar o outro. Sente a necessidade do disfarce e do jogo lúdico, do encanto e do faz de conta... Então, por que não proporcionar estas experiências, muitas vezes indescritíveis e com resultados surpreendentes, aos indivíduos que apresentam algum tipo de limitação em seu desenvolvimento? Foi pensando nisso que o CENTRO ESPECIALIZADO NOSSA SENHORA DE ASSUMPÇÃO – CENSA introduziu o teatro na programação. A ideia surgiu da proposta de propiciar aos educandos a oportunidade de vivenciar papéis sociais diferentes, expressão corporal, musicalidade e ritmos.
 
O primeiro trabalho, intitulado "Os três porquinhos e o lobo mau espertinho", teve a participação efetiva dos educandos em sua elaboração e foi um sucesso. A segunda peça ,“O casamento da Dona Baratinha”, contou com a chegada do monitor de teatro Leonardo Gualberto. “Adaptamos e passamos a utilizar músicas infantis e do folclore brasileiro para que pudéssemos participar do primeiro festival” ressalta Gualberto.
 
A peça foi premiada com dois troféus, de melhor direção e melhor ator, no Festival de Teatro em Lafaiete /MG de 2010. O trabalho do grupo é marcado pela improvisação, elemento principal na formação e autonomia do ator. Os educandos consideram-se artistas na arte de representar. Durante as aulas, os atores entregam-se ao jogo da criação, geralmente fruto do seu cotidiano. “Momentos simples transformam-se em especiais, incutidos de beleza”, revelam.
Os exercícios visam o uso de artifícios práticos e reais que possibilitam a entrega do participante em um mundo fantástico, no qual cada um expressa-se à sua maneira.

A história, bem como as adaptações, foram escolhidas pelos educandos. Com a elaboração da peça teatral e a possibilidade de apresentações fora do CENSA, surgiu a necessidade de nomear o grupo: Alegria & Cia.  Apresentar esta peça passou a ser então o cartão de visitas do CENSA. Surgiram vários convites para apresentações em outras escolas. “Cada apresentação era diferente, o sentimento de ser valorizado ia crescendo a cada evento”, conta Alexandra Rangel.
 
O grupo já realizou mais de 100 apresentações e o trabalho foi expandido para outras cidades: Conselheiro Lafaiete, Cristiano Otoni, Juatuba, Jaboticatubas e Ribeirão das Neves. A peça é levada para o púbico interno de hospitais, asilos, centro de recuperação de dependência química, e principalmente para as crianças que têm pouca ou nenhuma possibilidade de ir ao teatro. E também às faculdades, empresas, seminários, congressos entre outros.

As apresentações realizadas em outras instituições oferecem aos educandos a possibilidade de vivenciar uma realidade diferente do seu cotidiano. Estas experiências possibilitaram aos educandos apropriarem da sua auto-estima, identificarem-se enquanto uma “trupe” de arte confiante, entrosada e criativa. Atualmente o grupo Alegria & Cia está em cartaz na escola com a peça: "O casamento da Dona Baratinha". 
 
SERVIÇO:
O CENSA - CENTRO ESPECIALIZADO NOSSA SENHORA D'ASSUMPÇÃO - é uma instituição fundada há 46 anos pela Educadora Ester Assumpção, sendo um local para atendimentos clínicos, cuidados básicos e um espaço para ser e conviver. Sua missão é atender as necessidades da pessoa com deficiência e da sua família, assegurando-lhes qualidade de vida e uma educação socializadora. Para ajudar ou agendar uma apresentação basta mandar um e-mail para
contato@censabetim.com.br, ou ligar para (31) 3529 – 3500. O site é www.censabetim.com.br
 

 
 

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