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O meio ambiente agradece

O meio ambiente agradece


Lei que determina fim das sacolas de plástico convencionais, aprovada em 2008, entra em vigor no fim de fevereiro. Comércio do bairro começa adotar medidas para se adequar à norma


A sacolinha de plástico convencional está com os dias contados em BH. A partir de 28 de fevereiro, entra em vigor a Lei 9.529/08, que proíbe o uso das embalagens que não sejam produzidas de material reciclável ou biodegradável. Sancionada pelo então prefeito Fernando Pimentel, a medida passa a valer para todos os estabelecimentos comerciais da cidade, que terão de oferecer alternativas ecologicamente corretas. Segundo especialistas, o saco de plástico tradicional é um dos grandes vilões do meio ambiente, já que pode levar até 400 anos para se decompor, enquanto os não provenientes do petróleo levam, no máximo, 18 meses para se degradar. A matéria prima das sacolas plásticas possui moléculas inquebráveis. Por isso, elas levam tanto tempo pra se decompor. Já as sacolas biodegradáveis são menos agressivas ao meio ambiente.

Originária de um projeto de lei do vereador Arnaldo Godoy (PT), a nova lei estabelece que supermercados, padarias, açougues, lojas de roupas e todos que não cumprirem a norma estão sujeitos à multa de R$ 1 mil, aplicada em dobro na reincidência, a cassação do alvará de funcionamento e até a interdição. “As sacolas plásticas dificultam a compactação do lixo no aterro sanitário, acelerando a degradação ambiental. Quando jogadas nos bueiros elas entopem as redes de esgotos causando enchentes. Outro problema são as sacolas de lixo, que também deverão ser feitas de material biodegradável. O Brasil produz 210 mil toneladas desse material por ano, que representam 9,7% de todo o lixo do país.”, explica o parlamentar.

Alguns supermercados e lojas do Buritis já aderiram à substituição das sacolas, como é o caso do Verdemar, que adotou as sacolas biodegradáveis desde 2007, muito tempo antes da sanção da nova lei. De acordo com a analista de Marketing do Supermercado, Maria Fernanda Fonseca, a mudança aconteceu em junho de 2007, preocupados com o rumo que o mundo estava tomando com a depredação do meio ambiente. “É uma questão de consciência mesmo. Todos os dias vemos notícias de problemas envolvendo o meio ambiente e esta foi uma das posturas que o Verdemar tomou buscando fazer a nossa parte e, principalmente, buscando conscientizar os clientes sobre a importância de atitudes como esta. A atitude foi completamente aprovada pelos nossos clientes”, atesta.

Ainda de acordo com a analista de Marketing do Verdemar, os gastos com as novas sacolas biodegradáveis são 15% maiores que com as antigas sacolas, mas isso é irrelevante se comparado aos benefícios. “Não tratamos isso como um gasto, mas sim como um investimento. Estamos investindo em um futuro melhor para nossos filhos”, ressalta. 

Porém, existe a preocupação que alguns estabelecimentos repassem para os clientes este gasto que terão a mais com as sacolas ecológicas. Apesar da analista de marketing apontar um aumento de 15% no valor, de acordo com o superintendente da Associação Mineira de Supermercados (Amis), Adilson Rodrigues, este acréscimo pode ser bem maior. “Enquanto a convencional custa 3 centavos, a biodegradável sai por 19. Para que os preços não sejam repassados ao consumidor, ele aposta na conscientização da população com a adesão da sacola retornável.

Atitude ecológica e social

Apesar de ações como a do Verdemar serem louváveis, o ideal mesmo seria a sugestão do superintendente da Amis. De acordo com a moradora do bairro, Estefane Freitas, cliente do Verdemar, para ela o uso das sacolas só acontece em casos de extrema pressa e quando não está preparada. Ao lado do marido Ricardo, eles participam de uma pastoral social religiosa que desenvolve um projeto empregando presos que produzem Ecobags (mochilas ecológicas). “Além de ser uma medida ecológica é uma medida social muito importante. Os presos aprendem um ofício, evitam ficar ociosos na cadeia —que é um dos grandes problemas hoje—, além de contribuir com o meio ambiente”, lembra.

De acordo com a moradora, em troca disso, todos os meses é depositado um salário em uma conta deles, para que tenham alguma quantia ao sair da cadeia, além, é claro, de um possível ofício. “O resultado é excelente. Eles ficam menos agressivos, mas pacientes uns com os outros. Os atritos e confusões onde funciona o projeto diminuíram muito. Pegando pelo lado ecológico é um incentivo para que as pessoas se conscientizem do real problema que vivemos; é fundamental que todos façam da sua parte. Ao fazer suas compras no supermercado, levem sua bolsa. Mesmo as sacolas ecológicas, apesar de menos poluentes, ainda não são o que precisamos. Precisamos é evitar sempre que possível o acúmulo deste tipo de lixo”, opina.

BH será pioneira

A iniciativa de Belo Horizonte parece ter a concordância de grande parte dos brasileiros, já que a pesquisa Sustentabilidade: aqui e agora, do Ministério do Meio Ambiente (MMA) em parceria com outras instituições, revelou que 60% das pessoas são a favor de uma lei para proibir o uso de sacolas plásticas. O levantamento feito entre 27 de setembro e 13 de outubro em 10 capitais, incluindo BH. Ainda segundo o MMA, Espírito Santo, Maranhão, Goiás, Paraná e Distrito Federal já têm leis semelhantes que estabelecem a substituição das sacolas plásticas.
 
No dia 14 deste mês vários órgãos e entidades vão lançar uma campanha educativa para que tanto os comerciantes quanto a população se conscientizem sobre a necessidade do respeito à nova lei. A campanha vai contar com o apoio da Prefeitura de Belo Horizonte, do Movimento das Donas de Casa, da Associação Mineira de Supermercados, da Câmara de Dirigentes Lojistas, entre outras entidades.
 
O prefeito Marcio Lacerda destaca o fato de Belo Horizonte ser a pioneira entre as capitais brasileiras a adotar tal procedimento. “É uma medida importante para a preservação do nosso meio ambiente. Nossa ação fiscalizatória será, de início, a de realizar campanhas educativas. Nossa cidade sofre muito com bueiros entupidos com sacolas plásticas. Esta medida vai ajudar até mesmo na possibilidade de se evitar enchentes”, ressalta o prefeito.

 
 

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