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Crianças estressadas

Crianças mais estressadas


Pesquisa mostra que carga excessiva de atividades e cobrança dos pais estão entre os fatores que mais contribuem para o problema, mais até mesmo que o bullying.


Uma pesquisa realizada com crianças de São Paulo e Porto Alegre mostra uma preocupante realidade que também está presente em nosso bairro: as crianças brasileiras estão sofrendo cada vez mais com estresse, alerta o estudo realizado pela International Stress Management Association (Isma-BR), com crianças entre 7 e 12 anos de idade.


A surpresa é que o bullying, a prática de violência, humilhação e intimidação física ou psicológica entre crianças, não é a primeira causa. As críticas e desaprovações dos próprios pais - citadas por 63% das crianças consultadas - incomodam mais que bullying. Em segundo, o excesso de tarefas na rotina é apontado por 56%. O bullying aparece em terceiro, com 41% das crianças reclamando da pressão dos colegas.


Em se tratando de bullying, como mostramos na edição de junho deste ano, existe um trabalho muito forte das escolas do bairro para coibir o problema, incentivando o coleguismo como forma de desestabilizar e desmotivar aquelas crianças que gostam de implicar com outras.


Já nas outras duas situações, o bairro está repleto de exemplos. “Nós atendemos aqui diversos casos de crianças do bairro que enfrentam principalmente o problema da carga excessiva de atividades. Às vezes elas têm uma organização para isso que consegues fazer tudo e também ter momentos de lazer, levado uma vida equilibrada, que é fundamental. Mas há casos sim de crianças que chegam aqui com uma carga de estresse muito grande”, explica a psicóloga e psicopedagoga do Núcleo de Acompanhamento à Criança e ao Adolescente – Acompanhar, Cristiane de Oliveira.


Um exemplo em específico chamou a atenção da psicóloga. “Tinha uma menina aqui que não tinha hora para nada, apenas para as obrigações. De manhã era aula, à tarde reforço, ela fazia pilates, natação, fonoaudiologia, psicopedagogia, inglês, entre outras atividades”, ressalta Cristiane, que aponta o trabalho em excesso dos pais com um desses fatores. “Aqui no Buritis é comum as crianças terem exemplos dos pais que trabalham incessantemente e elas próprias se cobrarem muito, querendo estar no mesmo nível dos pais. É importante que tenha um equilíbrio, que os pais saibam ver quando está saindo do controle e que está excessiva a carga nos filhos”, destaca.


SINTOMAS
Para evitar problemas futuros, com o estresse se tornando cada vez mais forte,  a psicóloga alerta para que os pais sejam vigilantes e saibam controlar e administrar a vida dos filhos e, principalmente, reconhecer quando há um problema.  “O estresse prolongado e não tratado pode levar a uma série de doenças e problemas de adaptação, inclusive na escola. Além disso, a criança que não aprende a lidar com a tensão, quase sempre se torna um adulto vulnerável ao estresse. É sempre melhor aprender a lidar com os problemas ainda jovem”, opina Cristiane.


Como solução, segundo a psicóloga, a atenção dos pais é o melhor caminho. “É importante identificar o que está estressando a criança e, se possível, diminuir a pressão que ela está sofrendo. As crianças hoje são mini-executivas, carregam muitas vezes a carga dos pais, mesmo involuntariamente. Por isso, os pais, percebendo que o filho apresenta sintomas como dores, tristeza, irritação, medo, ou seja, sintomas físicos e psicológicos, devem procurar um profissional para avaliar a melhor forma para resolver o problema. O mais importante é que os pais fiquem atentos e procurem ajudar os filhos a organizar suas vidas, inclusive incluindo horários de lazer, que são importantíssimos para o equilíbrio e o bem estar mental e corporal”, recomenda. 


Entre os sintomas físicos resultantes do excesso de tensão, as crianças entrevistadas na pesquisa relataram que ficam mais nervosas (75%), com medos inexplicáveis (68%), irritadas (51%) e impacientes (43%). As mudanças comportamentais ainda incluem a agressividade ou a passividade para 53% delas e a dificuldade de relacionamento para 39%. Alterações no apetite - incluindo o aumento no consumo de doces - foram percebidas por 32% das crianças, enquanto 23% declararam o choro sem motivo.

 

 
 

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