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Abra as portas para o recenseador

É hora de abrir as portas para o Censo 2010


Com medo de assaltos, moradores do Buritis não contribuem com pesquisa do IBGE que pode não ser concluída na data estipulada pelo Governo Federal


O Censo 2010 começou em Belo Horizonte no dia 9 de agosto. E o prazo para terminar é o dia 31 deste mês. Mas este prazo pode ser prorrogado por uma razão: em Belo Horizonte o censo está atrasado. Em um dos bairros que mais estão contribuindo para este atraso, infelizmente, é o nosso Buritis. É aqui, um dos bairros mais nobres da capital, que recenseadores ouvem as mais diversas respostas para não serem atendidos, do “volte amanhã” ao “não quero atender”.


Outro problema é a dificuldade em encontrar os proprietários nas residências. Mas seja pelo motivo que for, a recusa deixa BH em maus lençóis. Até o início de outubro, apenas 77% da nossa população havia respondido aos questionários. O percentual parece alto, mas está abaixo da média nacional (87%) e da mineira (89%).
E se passarmos estes números para o bairro, a estimativa é ainda pior. No total dos domicílios visitados até o início de outubro, cerca de apenas 60% do moradores responderam às perguntas. A barreira fez com que 15 dos 60 recenseadores que atuam na região pedissem demissão.

E por causa desses dados, o IBGE acendeu a luz amarela, com a preocupação de não conseguir concluir o censo 2010 em Belo Horizonte até 31 de outubro, data estipulada pelo Governo Federal para que a pesquisa seja encerrada em todo o país. O desafio deixa os coordenadores da pesquisa de mãos atadas. Eles imploram ao cidadão que, por algum motivo, não quer receber o recenseador, repense a atitude. “A situação está caótica. Nunca pensamos que passaríamos por isso. Há prédios inteiros onde ninguém quis responder e estamos esbarrando em outro entrave, que é a ausência da ajuda do síndico. Antes, ele tinha o papel de mobilizar os condôminos, mas agora, muitos não estão nem aí”, reclama o coordenador de área do Censo 2010 do IBGE/Minas, Gladston Policarpo.
 
RECENSEADORES SENTEM NA PELE A RECUSA


Uma das recenseadoras do IBGE, Dalila Silva Lopes, está sentindo na pele a falta de colaboração dos moradores. Segundo ela, que fez a pesquisa no interior e foi convocada para ajudar aqui no Buritis, além das desculpas, muito moradores ainda são agressivos, muito diferente das pequenas cidades. “No interior são pessoas menos esclarecidas, porém mais receptivas, humanas. Aqui tem muita falta de respeito. Além de eles não atenderem, ainda nos tratam muito mal. Nos xingam, gritam, fazem de tudo para não responder ao questionário. Às vezes também, eles marcam horário, passamos várias vezes e sempre estão ocupados. Enquanto no interior eles fazem questão de nos ajudar, acho que aqui eles se sentem invadidos. Quando perguntamos então sobre a renda, só falta nos baterem. Tem casos de pessoas que são extremamente gentis, mas infelizmente isso é minoria”, explica.


Mas um exemplo claro da falta de respeito foi a que a recenseadora Miriam Martins sofreu. Após escutar de uma moradora que ela “estava na piscina e por isso não atenderia”, Miriam insistiu e acabou recebendo um banho como punição. “Do alto do apartamento, a proprietária me jogou água e mandou que eu fosse embora e não voltasse mais. Este é apenas um dos vários exemplos. Teve vários casos de, por exemplo, eu tocar o interfone, a pessoa atender, falar que ia me receber, porém, passaram-se 5, 10 minutos e nada. Quando dizemos que é obrigatório então, aí é que a situação fica mais complicada. Gritam, xingam, mandam a gente enviar a multa, é realmente muito complicado. Até atiçar cães em mim já aconteceu.”, reclama.

Para tentar resolver este problema, a coordenadora de subárea Oeste 2, Elizabeth Rosângela, quer sensibilizar a população do Buritis. “Passamos nas escolas distribuindo panfletos, mandamos fazer cartazes, estamos conversando com os moradores nas ruas, tudo para que consigamos concluir as pesquisas no Buritis. Outra medida foi a instalação de um imenso balão no Uni-BH com informações e apelo aos moradores. É precioso que eles tenham a consciência de que é importantíssimo saber exatamente os dados do bairro para que sejam traçadas medidas e estratégias em busca da melhoria da qualidade de vida deles próprios”, conclui.


Vale lembrar aos moradores que o bairro enfrenta diversos problemas justamente por, em muitos aspectos, ainda seguir os dados do último censo, de dez anos atrás. Para que políticas públicas sejam elaboradas em busca das melhorias almejadas pelo bairro é necessário ter a noção exata do nosso perfil. Caso contrário, a pesquisa não irá refletir a realidade do bairro para que possamos buscar novas conquistas. Dez minutos da colaboração de um membro de cada família é o necessário criar um mapa completo do Buritis.

 
 

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