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Editorial - Edição de Outubro 2010

UM NÍVEL MELHOR
 
Aqui em Minas, pela terceira eleição consecutiva, a fatura foi liquidada no primeiro turno. Os mineiros, que em sua imensa maioria aprovaram os dois governos de Aécio Neves, preferiram dar crédito à continuidade administrativa e também à reconhecida capacidade do professor Antônio Anastasia. O mesmo poderia ter acontecido na eleição presidencial. O governo do Presidente Lula é amplamente aprovado pela população e Dilma estava no rumo da vitória no primeiro turno. Mas havia uma Erenice no meio do caminho e o povo ficou com um pé atrás, preferindo levar a disputa para mais um round.


Mas só que a palavra “round” está sendo levada demais ao pé da letra. Nesse início de segundo turno a disputa está mais para vale tudo. A internet, que é uma importante ferramenta à disposição do eleitor para que ele possa aprofundar a avaliação sobre as propostas dos candidatos, está sendo utilizada de forma negativa. O que seria um espaço privilegiado para o debate de idéias, está sendo utilizado para a proliferação de boatos, fofocas, futricas, calúnias e difamações. Baixaria é um termo elegante até demais para o que estamos vendo. Como se diz no jargão futebolístico, o confronto está da “medalhinha pra cima”.


Nem Dilma nem Serra precisam apelar para tais métodos. O processo eleitoral parece até que não é para eleger o próximo Presidente da República, mas, sim, um líder religioso. O debate parece uma guerra santa. E, graças ao bom Deus, acho que o Brasil merece uma disputa em um nível mais elevado. Há muitas questões mais revelantes que precisam ser aprofundadas. E o segundo turno serve exatamente para isso. A eleição no primeiro turno é muito pulverizada e os temas são tratados de forma superficial. No segundo turno é um contra o outro, o confronto fica polarizado e é mais fácil para o eleitor distinguir e comparar projetos e biografias.
Aliás, resguardadas as baixarias, esta será a tendência deste segundo turno. Serra vai tentar a todo custo personalizar a disputa. A estratégia tucana será explorar a maior trajetória política de José Serra. Vão mostrar à exaustão o currículo do candidato,  demonstrando que ele já foi deputado, senador, prefeito e governador, enquanto Dilma tem a sua primeira experiência eleitoral.


Apesar de também ter um bom currículo, principalmente no Executivo, o mote da candidata petista será a comparação entre os oito anos de governo tucano, leia-se FHC e Serra, contra os oito anos da atual administração – leia-se Lula e Dilma. E nesse quesito Dilma leva ampla vantagem. A comparação dos números e indicadores dos últimos oito anos é favorável ao atual governo. Foi assim que Lula conseguiu derrotar Geraldo Alckmin em 2006. Restará ao eleitor definir o que vai pesar mais na balança.

 
 

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