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Alto valor dos alugueis prejudica comércio local

 

Alto valor dos alugueis

prejudica comércio local

Lojistas do bairro reclamam de aumentos abusivos na renovação dos alugueis e apontam o problema como principal causa de fechamento de lojas no comércio local

No mês passado o JORNAL DO BURITIS trouxe uma matéria onde o SEBRAE descreveu os vários motivos que levam uma empresa a fechar as portas precocemente. A principal razão, segundo o órgão, estaria na falta de planejamento dos empreendedores, que muitas vezes pela falta de paciência acabam colocando os pés pelas mãos e abrindo negócios sem ter o domínio de todas as condicionantes que envolvem o setor.

 Porém, ao longo do mês, muitos empresários do bairro chamaram a atenção para outro aspecto que também tem sido determinante para o fechamento de muitas lojas no bairro. Os valores de alugueis, já naturalmente altos por causa do boom do mercado imobiliário no Buritis, quando há a renovação de contrato, ficam ainda mais salgados e passam a ser uma dificuldade e um custo que sacrifica tanto os lojistas ao ponto de muitos não resistirem e acabarem fechando as portas.

 Segundo o economista e morador do bairro, Fernando César Tonni, a situação é mais preocupante do que parece. Para ele, se não houver uma conscientização dos proprietários de imóveis, a tendência, com o tempo, é que os pequenos comerciantes do bairro não suportem. “O problema é que os locatários querem que o comércio acompanhe o mercado imobiliário, e isso não acontece. A valorização dos imóveis aqui é bem superior a qualquer outro tipo de comércio. Se hoje um lojista paga ‘X’ e daqui a dois anos, por exemplo, o locatário pede ‘5X’, é lógico que o comerciante vai ter um rombo, não conseguindo pagar esse valor. E o que vai acontecer é que este imóvel ficará fechado, visto que a maioria dos proprietários, muitas vezes, é rica e não precisa tanto do dinheiro. O resultado será a falta de movimentação de dinheiro que poderia estar ocorrendo com um comércio naquele imóvel, prejudicando assim todo o bairro”, explica.

 A empresária Idia Furtado, proprietária da loja de roupas e assessórios femininos Mahara, é uma das pessoas que sentiram na pele a dificuldade para abrir seu negócio no Buritis. Segundo ela, os valores de aluguel no bairro podem ser comparados aos da zona sul de BH, onde o poder de consumo é bem maior. “Quando pensei em abrir minha loja pesquisei vários valores de aluguel. Há pontos no bairro, em imóveis relativamente pequenos, que me pediram seis, oito mil reais. Aqui no Top Buritis (local onde funciona a loja), pago mais de dois mil reais. Pelo mesmo valor, encontrei lojas com um tamanho bem superior, por exemplo, no Sion”, destaca.

 Para Idia, esses valores abusivos acabam prejudicando não somente o lojista, mas todos que envolvem o negócio, inclusive os clientes. “Para abrirmos uma loja temos que fazer um investimento muito alto, são taxas e mais taxas, impostos, e tudo isso cai na conta do lojista. O que acontece é que para podermos pagar tudo e tirarmos o lucro, acabamos por ter de colocar um preço um pouco mais alto nos produtos, prejudicando assim o consumidor. Vale lembrar que somente o aluguel leva em torno de 20% a 30% da receita da loja”.

 NA CONTRAMÃO DO FRACASSO  

Se o Buritis é um bairro cruel para quem não se planeja bem e não equilibra suas contas, o bairro também sabe ser generoso com quem faz o dever de casa e consegue se desdobrar em busca das melhores opções.

 Um exemplo claro disso é a academia Fitness Buritis. Ao contrário do que foi divulgado pelo JORNAL DO BURITIS na edição passada, o local não só não fechou as portas como expandiu seus negócios. Também por causa dos alugueis abusivos, a Academia foi obrigada a mudar por uma questão estratégica. “Ficamos na Mário Werneck, perto do Banco do Brasil, de 2002 a 2007. No fim do contrato, o proprietário nos ofereceu a possibilidade de compra. Como não tínhamos condições, ele nos fez então uma proposta de reajuste de mais de 500%. Mesmo nós termos investido muito para tornar o lugar o que é hoje, achamos melhor mudar de local, o que acabou nos trazendo muito benefícios”, explica a proprietária Janaína Pedrosa.

 Hoje funcionando no Shopping, com o nome Academia Paragem Fitness, a empresa conseguiu ampliar consideravelmente o número de alunos na prática de exercícios, além de ter dobrado o número de alunos das aulas de dança. “Por ser um lugar mais seguro, conseguimos fechar mais tarde, ampliando assim naturalmente nossos clientes. Outra coisa bastante positiva é o estacionamento, que era reclamação de muitos no antigo local. Mesmo tendo que fazer todo um investimento para colocarmos o local como queríamos, valeu muito a pena e posso dizer que hoje estamos mesmo na contramão do fracasso”, ressalta Janaína.

 Outro exemplo de expansão nos negócios está na perfumaria Le Ferman. Há três anos no mesmo ponto do bairro, a loja, que começou apenas com perfumes, hoje tem produtos da Victoria’s Secrets, bolsas de marcas diversas e, recentemente, começou a comercializar joias em Prata 925. Com todos os artigos importados e de luxo, a empresária Fernanda Ferman explica que a dificuldade do negócio foi conseguir atingir o patamar de credibilidade que possui hoje.

 “Percebemos que nossos clientes gostam de produtos de marcas e baratos. Temos produtos, principalmente os medianos, que saem muito. São produtos de marca com preços excelentes. A prataria é outro segmento que também tem dado muito certo. Com a proximidade do Dia dos Namorados, a aliança de compromisso, por exemplo, é um produto que sai muito. E o mais importante é que o nosso sucesso se dá porque os clientes confiam que nossos produtos são todos originais mesmo, com a qualidade impecável, e com bons preços. Esta é a receita do nosso crescimento”, conclui.  

 
 

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