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Brincadeira também de gente grande

Brincadeira também

de gente grande

Moradores do bairro se empolgam com a Copa do Mundo e se unem a filhos e netos para colecionar álbum de figurinhas

 

Engana-se quem acha que colecionar figurinhas é uma brincadeira de criança. No Buritis há colecionadores das mais variadas idades e que levam o assunto com a máxima seriedade. São pais, avós, mães, que vão no embalo dos filhos e netos para relembrar seus tempos de criança, principalmente em ano de Copa do Mundo, quando o futebol no Brasil fica ainda mais em evidência.

 

E a brincadeira em todo o mundo ganhou uma proporção enorme nas últimas semanas. Segundo dados da multinacional italiana Panini, fabricante do álbum de figurinhas do mundial de futebol, todos os recordes de vendas foram batidos nesta edição da Copa, chegando até mesmo a faltar os cromos durante os meses de abril e maio por causa da grande procura.

 

E no Buritis esta febre de colecionadores também não é diferente. Todos os sábados, os moradores se reúnem com seus filhos e netos em frente às bancas do bairro e ficam horas trocando figurinhas.

 

Um desses colecionadores é o engenheiro Adriano Clary, que junto com o filho de quatro anos, todos os sábados vai à banca de jornais em frente ao Espaço Buritis, compra figurinhas e troca as repetidas com outros moradores. De acordo com ele, esta simples brincadeira tem um significado todo especial. “É uma oportunidade que tenho para ficar mais tempo com meu filho e ainda relembrar minha infância. Sempre fui um colecionador e meu filho com quatro anos vem tomando o mesmo gosto. Tenho álbuns do Brasileiro de 1980, Copa de 1982, entre outros. É a oportunidade também que meu filho tem para interagir com outras crianças e fazer novos amiguinhos”, explica.

 

O analista de sistemas Marcelo Figueiredo é outro que se empolgou ao ver a filha Letícia também começar a coleção. Apaixonado por futebol, ele explica que sempre foi um colecionador e vê como principal atrativo o desafio de completar o álbum. “Ao ver a empolgação dela comecei também a ficar interessado e começamos a colecionar juntos. Hoje estamos os dois empenhados em querer completar o álbum. São muitas figurinhas e isso é o que chama a atenção, o desafio em completar mais um álbum, já que quando era novo, também colecionava e é uma sensação muito boa na hora em que completava um álbum”, relembra.

 

Mas diferentemente de Marcelo e Adriano, que apesar de serem pais ainda são muito jovens e isso pode explicar melhor essa paixão pela brincadeira, o administrador de empresas Clovis Pena, no auge dos seus 65 anos, é a prova de que quando o assunto é colecionar figurinhas, a paixão não tem mesmo idade. Junto com o neto Rafael, ele também aponta como o mais interessante o fato de relembrar sua infância.

 

“Primeiro é muito bom estar com meu neto, brincando e aproveitando ele. Mas me chama atenção o fato de lembrar minha infância e adolescência. Quando BH ainda era uma cidade bem menos movimentada e mais tranquila, eu já me reunia com outras crianças e amigos na Praça 7 para trocar figurinhas. É muito prazeroso e estas coleções sempre foram a atração da criançada. A gente ficava encantado quando via que alguém tinha a ‘rainha’, que é sempre aquela figurinha mais difícil. Quando completávamos o álbum então era aquela festa. É muito bom, eu adorava aquilo”, conta.

 

Mais empolgada ainda com essa coleção é a empresária Maria Walkíria, de 53 anos. Expondo seu álbum para os demais colecionadores como se fosse um troféu, quando faltava apenas uma figurinha para completar todo o álbum, ela foi ainda mais além e incluiu por conta própria mais três jogadores no álbum, Gilberto, Grafite e Kléberson, convocados para a seleção brasileira mas que não estavam presentes no álbum. “Faço a coleção com meu filho de 24 anos e minha filha de 14. Ele pediu um amigo para confeccionar em uma gráfica os três jogadores. Nós gostamos muito de fazer essa coleção e é uma forma de divertirmos juntos. É uma sensação indescritível. Tenho orgulho de falar que tenho 53 anos, mas nunca deixo minha alma envelhecer. Colecionar este álbum é muito além do desafio ou da brincadeira, é uma forma de divertir e deixar aflorar essa criança que existe em cada um de nós”, conclui.  

 

 
 

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