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Bulling: Brincadeira ou Agressão?

 

Brincadeira ou agressão?

 

Psicólogo morador do bairro desenvolve tese de doutorado buscando maneiras eficazes para evitar Bulling nas escolas, brincadeira que pode causar sérios danos em crianças

 

Quem nunca foi alvo de piadinhas quando era criança ou responsável e participante de brincadeiras que tinham como objetivo puro e simplesmente de denegrir a imagem de algum colega? Pois esta atitude que aparentemente parece inofensiva, na verdade pode causar diversos problemas e distúrbios psicológicos na vida de uma pessoa.

 

O Bulling, como ficou conhecido este tipo de “brincadeira”, é um termo inglês utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados pelo bully (valentão) com o objetivo de intimidar ou agredir outra pessoa incapaz de se defender.

 

Apesar de estar presente em várias esferas da sociedade e de diferentes faixas etárias, o Bulling é mais presente nas escolas e com crianças, o que torna a situação ainda mais grave, já que é nessa fase que o indivíduo começa a formar seu caráter e  pode formar uma ideia sobre si mesmo como se fosse alguém inferior às outras pessoas.

 

O morador do bairro, psicólogo e professor universitário, Marco Antônio Silva Alvarenga, está desenvolvendo uma tese de doutorado sobre o tema com estudos sobre as formas de identificar e combater o problema nas escolas. Segundo ele, em alguns casos, a vítima simplesmente passa por cima e leva um vida normal, e até mesmo encara com humor este episódio que vivera enquanto criança. Porém, em determinadas pessoas, a experiência é mesmo traumatizante.

 

“As sequelas imediatas são que essas crianças ficam mais tristes, desmotivadas, isoladas, diminuem o rendimento escolar, em alguns casos ficam mais agressivas e em outros ficam ansiosas. A longo prazo, a situação é ainda mais preocupante. Podem desenvolver distúrbios na auto-estima e auto-imagem, não têm segurança no desempenho profissional, se tornam antissociais, evitam situações de conflitos em que não têm confiança de se sair bem, além de depressão”, explica o psicólogo.

 

Como diz o ditado popular que é melhor prevenir do que remediar, Marco Antônio resolveu ir a fundo no problema e pesquisar as causas e maneiras de se evitar o Bulling em sua tese de doutorado. “Entendendo o que faz o Bulling acontecer, poderemos desenvolver estratégias em um ambiente escolar que possa diminuir esse comportamento e, consequentemente, o impacto”.

 

Segundo o psicólogo, o estudo engloba diversas estratégias com vários objetivos. Como a maioria das vezes são os próprios alunos que identificam com mais facilidade a prática do Bulling, as escolas devem reforçar a ideia de que eles devem denunciar quando presenciarem um colega praticando ou sendo vítima. Outra medida é que os professores devem treinar a percepção para identificar o problema e não acharem que isso é brincadeira de criança. A escola também deve informar tanto o pai da vítima quanto do agressor. Além disso, deve-se desenvolver sistemas de orientação também para quem comete o Bulling e para quem é o alvo. “Se o comportamento se repetir depois do diálogo, se não surtir efeito, o agressor deve ser punido, a escola e os pais aplicarem sansões deixando claro os motivos”, ressalta Marco Antônio.

 

 

E para quem acha que tudo isso é um exagero, o psicólogo lembra que muitos pacientes que o procuram com depressão e outros problemas psicológicos, acaba-se descobrindo durante as sessões que um dos fatores foi uma infância conturbada. “Depressão e ansiedade são doenças que têm várias causas. Mas o Bulling é sim um evento que pode desencadear esses problemas. Tenho pacientes que não superaram totalmente alguns episódios da infância e com outras decepções e problemas durante a vida, acabaram desenvolvendo doenças”, lembra.

 

E a busca por soluções para o problema deve ser feito mesmo em conjunto entre pais, escola, filhos e colegas. Para Marco Antônio, o diálogo entre os envolvidos e atenção permanente são as melhores maneiras para coibir o Bulling. “É importante que os pais tenham um diálogo aberto com os filhos; que as escolas ampliem também o diálogo com a sociedade. Temos a consciência que zerar o Bulling é tarefa impossível, mas podemos diminuir muito a incidência, desde que educadores e família saibam identificar e busquem resolver a questão”, conclui Marco Antônio.

 

Ações positivas no combate ao Bulling

 

A busca por ações dinâmicas mostrando e incentivando atitudes positivas é a grande estratégia usada pelo Colégio Magnum para evitar o problema. Segundo o diretor geral do Colégio, Ricardo Cerqueira, ao invés de mostrar para os alunos as consequências e os problemas causados pelo Bulling, a formação do caráter e a busca por sempre priorizar a formação cristã e social dos estudantes é vista como a melhor maneira de evitar o problema.

 

“Batemos mais na tecla da boa formação, do esporte, da integração, do que assuntos como Bulling e drogas, por exemplo. Nossa estratégia é desenvolver ações contrárias a este tipo de problema, para que os próprios alunos que gostam de implicar com o colega, não tenham espaço para isso. Desta forma, ele vai se sentir desconfortável se insistir nisso”, explica Ricardo.

 

Porém, sabendo que mesmo assim há aqueles que, muitas vezes, por uma questão de auto-afirmação insistem em implicar com os colegas, o diretor explica que há outras estratégias para que a vítima se sinta a vontade para tentar resolver o problema. “Nossa concepção pedagógica prioriza muito o diálogo e a confiança dos alunos com professores, coordenadores e diretoria. Por isso, os alunos acabam tendo uma confiança muito grande e expondo quando há um problema”, destaca o diretor.

 

Outras maneiras para evitar que essas “piadinhas” ganhem uma proporção maior a ponto de poder afetar diretamente a vítima de maneira mais grave, é a valorização dos alunos. “De maneira sutil sempre buscamos interagir e valorizar um aluno que, não só pelo Bulling, às vezes não estão a vontade com colegas, não estão interagidos. Acreditamos que é valorizando os alunos que eles vão ser capazes de enfrentar obstáculos e a não se preocupar com problemas como o Bulling. Já no caso do agressor, esse sim é a nossa grande preocupação. Caso ele insista em manter o problema, tomamos as medidas que são as mesmas para qualquer ato de indisciplina no colégio”, finaliza Ricardo.

 

Caso de justiça

 

No mês passado aqui em Belo Horizonte um estudante da 7ª série de um colégio da rede particular foi condenado a indenizar sua colega de turma em R$ 8 mil por praticar Bulling. A vítima contou que o menino começou a lhe colocar apelidos e fazer insinuações em pouco tempo de convívio. Segundo ela, seus pais chegaram a procurar a escola, mas os constrangimentos continuaram.

 

Os responsáveis pelo estudante condenado afirmaram que as acusações não passam de "fantasia" e "exagero". Para eles, brincadeiras entre crianças não podem ser confundidas com práticas de Bulling. Já o colégio disse que todas as medidas pedagógicas essenciais foram tomadas.

 

Para o juiz Luiz Artur Rocha Hilário, da 27ª Vara Cível da capital mineira, "o dano moral decorreu diretamente das atitudes inconvenientes do menor estudante, no intento de desprestigiar a estudante no ambiente colegial, com potencialidade de alcançar até mesmo o ambiente extra-colegial". Na opinião do magistrado, as atitudes do menino parecem não ter limite, pois mesmo após a repreensão da escola, continuou com atitudes inconvenientes.

 

 

 
 

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