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Planejar antes de investir

 

Planejar antes de investir
 
Bairro tem todos os ingredientes para o sucesso de um novo empreendimento, mas falta de planejamento pode ser fatal
 
O número de novos empresários no Brasil é cada vez maior. Todos os dias são novas e novas empresas que surgem no mercado. Mas o problema é que muitos dos novos empreendedores não se planejam antes de criar seu próprio negócio. Investem sem planejamento e abrem as portas sem ao menos fazer levantamentos básicos que são de suma importância para evitar o fracasso e o prejuízo. O resultado é ver o sonho de um negócio próprio se tornar um pesadelo.
 
O Buritis é um bom exemplo disso. Ao longo dos seis anos do JORNAL DO BURITIS já presenciamos dezenas de empreendimentos que tiveram suas portas fechadas precocemente. Se o bairro proporciona aos empresários um retorno satisfatório quando a empresa é bem estruturada, é também bastante cruel com os aventureiros de plantão. O bairro é perfeito para novos empreendedores. Boa infra-estrutura, localização privilegiada, público consumidor com alto poder aquisitivo. Mas todos estes fatores positivos não dão a certeza do sucesso do empreendimento. 
 
A situação é tão complexa, que um empresário que faz corretamente todos os passos até conseguir abrir as portas, pode levar meses. Talvez seja por isso que muitos acabam colocando os pés pelas mãos e arcando com as consequencias de um empreendimento sem futuro, o que poderia ser evitado, muitas vezes, fazendo um planejamento correto.
 
E apoio para isso existe em várias frentes. Um exemplo claro é o SEBRAE, que oferece, além de diversos cursos para novos empresários, um serviço de consultoria completo. De acordo com a gerente de atendimento ao empreendedor do SEBRAE-MG, Mara Veit, o pontapé inicial para a criação de um negócio começa pelo conhecimento pleno e todas as condicionantes que envolvem a abertura de uma empresa. “Nós sempre falamos muito sobre isso. Sempre orientamos, seja presencialmente, à distância ou virtualmente, explicamos a importância de um plano de negócio, que nada mais é que um planejamento completo sobre o ramo que o empreendedor quer entrar”, explica.
 
A situação mais comum de quem procura o SEBRAE é do futuro empreendedor sequer saber em que investir. “Apenas com um capital em mãos as pessoas nos procuram para saber o que dá mais dinheiro, qual é o ramo em destaque, e o que é mais propenso a dar certo”, lembra Marta.
 
PLANO DE NEGÓCIOS
 
A partir desta decisão, o SEBRAE começa então a dar os passos para que seja criado o plano de negócios, onde o empreendedor vai começar um trabalho árduo para levantar todas as informações necessárias para a criação da sua empresa, colocando no papel tudo o que é relevante: pesquisas de mercado, necessidade da empresa na região escolhida, concorrência, ou seja, detalhando ao máximo as questões necessárias apara evitar o fracasso depois de aberto o negócio.
 
“Nós disponibilizamos gratuitamente esse formulário para o plano de negócios. Depois que orientamos, o interessado preenche tudo e o formulário é entregue aos nossos consultores que começam a analisar, sempre com um atendimento personalizado, onde são apontadas as falhas e o que mais deve ser feito. Isso é o princípio básico para que a empresa dê certo e evite a morte precoce”, lembra a gerente de atendimento do SEBRAE.
 
De acordo com Marta Veit, este plano de negócios sendo bem feito, o empreendedor terá o domínio do que pretende criar. Respondendo todas as perguntas e feitos todos os levantamentos necessários, o risco do fracasso diminui bastante. “Isso é comprovado. A possibilidade de sucesso quando o empresário domina todas as condicionantes do seu negócio aumentam muito. Hoje a maioria das empresas tem uma mortalidade precoce, fechando as portas em menos de dois anos de vida, justamente por causa dos erros cometidos no início do negócio”.
 
Paralelamente a isso, o SEBRAE também oferece diversas outras atividades que contribuem muito para que o empreendedor fique ainda mais preparado para as adversidades que vai enfrentar pela frente. “Os planos de negócios são teóricos. Neles, o interessado vai ter um conhecimento pleno sobre o seu negócio, mas a prática também é fundamental na preparação. Por isso, temos oficinas onde o empresário vai desenvolver na prática tudo o que aprendeu durante o processo de aprendizado teórico. Depois de todo esse processo, em que constatamos que ele está realmente preparado, aí sim é a hora de seguir adiante e abrir seu negócio”, destaca Marta.
 
Porém, é aí que começam a aparecer outras dificuldades, exigindo ainda mais preparação dos novos empreendedores. Para a coordenadora da central de relacionamento do SEBRAE-MG, Helena Dolabella, são necessários outros tipos de conhecimentos a partir de então. “O efeito novidade é muito positivo. Mas com o passar do tempo, novas estratégias devem ser adotadas. E para isso o empresário deve ter ferramentas de gestão. Fazer cursos administrativos, sempre com ajuda de gestores que orientam e capacitam. Temos cursos de finanças, marketing, legislação de impostos, recursos humanos, comportamento do empreendedor, ou seja, em qualquer momento que o empresário tenha uma dificuldade, basta procurar ajuda, que ele será bem orientado e capaz de solucionar os problemas de sua empresa”, informa. 
 
EXEMPLOS NÃO FALTAM NO BURITIS
 
 Como dissemos acima, ao longo dos seis anos acompanhando o dia a dia do Buritis, o JB presenciou muitas empresas falindo, seja por má administração, falta de apelo ao público, falta de preparação, entre outras questões. Em uma breve lista de empresas que fecharam as portas podemos citar, somente no Shopping Paragem, mais de 15 lojas: Blue Mountain, Camarão e Cia, Expresso Pizza, Ipon Culinária Oriental, A Bruxa, Bobs, Salada e Cia, Masseria di Terni (alimentação); Trilha Encantada (diversão); Sofia e Harteen (roupas e acessórios); Best Buy (produtos eletrônicos); Fica Comigo (presentes e diversos); Lilac (moda infantil); Fale Fácil (loja de celular); Levo Pra Você (locadora de filmes); Tropicália (roupas fitness e praia) dentre outras.
 
Conhecedora e frequentadora assídua do bairro, até mesmo pelo SEBRAE-MG estar bem perto de nós, na avenida Barão Homem de Melo, Marta Veit, dá uma aula de erros que levaram essas empresas à morte prematura aqui no Buritis. Segundo ela os estabelecimentos culinários, por exemplo, podem ter faltado justamente em analisar o apelo ao público.
 
“Este restaurante de comida oriental, Ipon, que ficava no Shopping Paragem, por exemplo. Além de poder ser má administração, será que era interessante para o público, será que eles fizeram um levantamento completo, pesquisas a fundo para saber se os moradores queriam isso lá? Eu acho que esse pode ter sido o problema do Ipon. Comida oriental tem todo um ritual, da pessoa comer calmamente, devagar, sem pressa, e é claro, em um ambiente tranquilo, coisa que a praça de alimentação do Paragem não é”, opina Marta. Consumidores gostam de ficar vagando pelos shoppings e o Paragem, por sua arquitetura, não proporciona esta opção. Este pode ser outro motivo para o fracasso de várias lojas lá”, acrescenta.
 
 
Mas empresas que morreram precocemente não são exclusividade dos shoppings do bairro. Mesmo lojas estando em locais privilegiados, como no centro comercial da Mário Werneck, muitas tiveram que fechar as suas portas. “É uma série de condicionantes que podem causar o fechamento de uma empresa. Para saber exatamente qual foi o erro era preciso analisar caso por caso. Mas o SEBRAE não se concentra nisso, no erro, e sim, nas maneiras que o empreendedor tem para conseguir tornar o seu negócio um sucesso. Basta, como já frisamos, o planejamento primeiramente, porque é ele quem mostra a viabilidade do negócio, e depois o domínio administrativo, que é fundamental, mesmo para as empresas que estão vendendo bem, sejam serviços ou produtos, tenham um futuro promissor”, conclui Marta Veit.
 
 

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