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Charme e lembranças nos discos de vinil

Neste mês de abril é comemorado o Dia do Disco de Vinil, tecnologia ultrapassada, mas que perdura com o passar dos tempos; bairro tem colecionador com quase três mil LP’s

     O disco de vinil surgiu no ano de 1948, como alternativa moderna e tecnológica  aos até então absolutos discos de goma-laca, que permitiam tocar as músicas com 78 rotações por minuto. Mais leves, maleáveis e resistentes a choques, quedas e manuseio, o disco de vinil impressionou a todos também pela qualidade sonora e, é claro, pelo atrativo de arte nas capas de fora. Com tantas vantagens, rapidamente se tornou mania e desejo das pessoas, que podiam, além de curtir as músicas, acompanhar um pouco das histórias e das letras musicais dos cantores preferidos.
     O disco de vinil marcou tanto uma época que ganhou até um dia especial para relembrar esse “divisor de águas”, que marcou o antes de depois de sua criação, comemorado dia 20 de abril.

     Mesmo hoje este sendo um meio completamente ultrapassado, já que depois dele veio a criação do K7, CD, DVD e agora os tocadores digitais em MP3, o vinil ainda tem seu lugar garantido na vida de muitas pessoas.
  
     No bairro, um exemplo claro disso é Paulo Roberto Dias. Mesmo tendo se adequado às novas teconologias, com uma coleção de mais de dois mil CDs e DVDs, Paulo tem uma verdadeira relíquia em sua casa, com quase três mil discos de vinil dos mais variados tipos e melodias musicais.
 
     Com uma paixão musical que está no sangue, já que toda a família é formada por músicos, o aposentado começou sua coleção aos 19 anos de idade e de lá pra cá se tornou quase um vício. “São mais de 40 anos de colecionador. Às vezes não tinha dinheiro para nada. Mas, mesmo assim, ao passar em frente a uma loja de música não resistia e comprava um disco. Deixava de comprar farinha para comprar discos”, lembra Paulo.
 
     O colecionador trata a música como uma terapia. Sua casa mais parece um estúdio musical, com aparelhagens antigas e modernas de som, caixas embutidas em várias paredes, além de ter dois aparelhos ligados ao mesmo tempo, um na sala, outro no quarto. “Se não tiver música rolando, eu não funciono. Hoje, aposentado, gosto de pintar, e é a música que me traz inspiração. Às vezes acordo à noite e ligo um som tranquilo, que me relaxa e me ajuda a dormir melhor”, afirma.

SUPORTAR OS PROBLEMAS
 
     Com os compromissos e deveres do dia a dia, ele lembra também que foi a música que o ajudou a enfrentar e suportar os problemas. “Já aos 18 anos, me tornei arrimo de família, com muitas responsabilidades. Trabalhei por mais de trinta anos na Usiminas, em Ipatinga, e por causa de carga de responsabilidade, precisava de um lazer, e foi a música quem me proporcionou isso. Sem falar que a música era como um ‘azeite’ em minha vida. Ela dava sabor em meio a tempos difíceis, ‘amaciando’ e nos unindo ao mesmo tempo que chamava muito a atenção dos amigos”, relembra Paulo.  
 
     Deste período em diante, a paixão foi só crescendo e os investimentos com música também. Paulo conta que aos 19 anos comprou seu primeiro aparelho de som, um tocador de discos mediano, mas que rodava os discos e fazia um belo som. Depois foi melhorando, comprando equipamentos mais avançados, com a qualidade do som cada vez melhor e assim foi se empolgando cada vez mais e consequentemente comprando mais discos.
 
     Mas deixando de lado os feitos que a música trouxe para sua vida, vale a pena mesmo é ressaltar que a quantidade de discos não é nada comparando à qualidade dos mesmos. O colecionador tem em sua estante, entre os milhares de LP’s, álbuns de dar inveja a qualquer apreciador de boas músicas. “Tenho discos aqui que eu mesmo nunca escutei. Gosto de músicas boas, que têm uma melodia bacana e uma poesia nas letras. Tenho coleções fantásticas e raríssimas como uma do Elvis Presley, com cinco discos, inclusive com músicas que na época eram inéditas no Brasil; coleções de Vinícius de Moraes, Ellis Regina, que é minha grande paixão; Raul Seixas, Chico Buarque, Milton Nascimento, entre tantas outras coleções”, revela.
 
     Com tantas raridades e estilos que vão do Sertanejo de raiz à música clássica e da Bossa Nova ao Rock, Paulo lembra que apesar de ser um colecionador cuidadoso, os discos não servem apenas para ficar olhando dentro do armário. “Mesmo com tecnologias mais avançadas em termos de qualidade de som, não abro mão de sentar no meu sofá, e tomar um bom vinho ao som dos meus discos. Eles foram meus companheiros em momentos tristes e felizes em toda minha vida e continuarão a fazer parte do meu cotidiano. Para mim não tem nada mais prazeroso que escutar determinada música e lembrar como, por exemplo, da minha mãe cantando. A música faz parte da minha vida e os discos de vinil ajudam a resgatar isso”, conclui.

 
 

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