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Infratores sem punições

Com a BHTrans não podendo mais multar, bairro vira terra sem lei com motoristas desrespeitando a todo momento as regras de trânsito
 
     Conversões proibidas, filas duplas, avanço de sinal vermelho, paradas em locais proibidos, dirigir sem sinto de segurança e usando telefone celular... e por vai. A lista de irregularidades no trânsito do Buritis continua a mesma de sempre. Porém, a novidade, é que nos últimos dois meses, desde que a BHTrans ficou impossibilitada por lei de aplicar multas, a situação piorou muito no bairro.
 
     Bastou algumas voltas pelo Buritis para nossa equipe de reportagem constatar que as placas de trânsito hoje são tratadas como meras ilustrações e enfeites. Nenhuma das sinalizações são respeitadas. Onde há locais exclusivos para deficientes físicos, as vagas são constantemente tomadas por carros sem credenciais. Onde há placas de proibido parar e estacionar, veículos ficam durante horas. Até mesmo na contramão, há veículos circulando pelo bairro.
 
     Para a moradora Marina Piqueira, a situação no trânsito do bairro é insustentável. “Mesmo antes de a BHTrans ser proibida de multar, nosso bairro já enfrentava esses problemas de irregularidades no trânsito. Mas hoje a situação se tornou insustentável. Na rua Walter Guimarães Figueiredo, por exemplo, são veículos parados nos dois lados da via, deixando o trânsito impraticável no local. Na Ernani Agrícola, há sempre veículos andando na contramão em um trecho que só é mão única”, denuncia.
 
     Para Marina, a sensação de impunidade dos infratores é que deixa o trânsito cada vez mais caótico no Buritis. “Se a gente der uma volta na Savassi, por exemplo, reparamos que infrações são punidas na hora. Mesmo com a BHTrans impossibilitada de multar, policiais são comunicados a todo momento para agir rápido e punir motoristas. Aqui no Buritis, raramente a gente vê uma fiscalização. E é isso que apoia esses infratores a continuarem com os delitos, prejudicando quem anda corretamente. Sair de carro aqui é uma dificuldade muito grande. Conseguir uma vaga para estacionar é uma luta sem fim, simplesmente pela falta de educação dos motoristas. É por esse motivo que o recurso acaba sendo fazer as compras fora do bairro”, destaca.
 
     O depoimento da moradora comprova que as irregularidades acabam prejudicando a todos que precisam do Buritis: empresários, que deixam de vender porque os moradores não suportam enfrentar os problemas no trânsito do bairro; moradores, que mesmo tendo ao seu dispor tudo que precisam para o dia a dia preferem procurar coisas em outros bairros; e para o próprios motoristas, mesmo os infratores, que se acham espertos ao cometer um delito, mas se esquecem que no dia seguinte se um outro cometer o mesmo erro, vai acabar refletindo isso na sua vida.

POUCAS VAGAS
 
     Para Aline Rodrigues, funcionária da papelaria Big Z, local onde pontos para estacionar são completamente escassos, as vagas que restam para clientes são todas tomadas por infratores. “Temos uma sinalização em frente à loja que permite motoristas estacionarem com o pisca-alerta ligado por dez minutos. Mas este tempo nunca é respeitado”, explica.
 
     Ao lado desta sinalização existe ainda um espaço exclusivo para carga e descarga de veículos, ou pelo menos na teoria seria exclusivo para este serviço. “São veículos de passeio o tempo todo lá. É como se a placa não existisse”, denuncia.
 
     Para o morador da avenida Mário Werneck, Diógenes Fagundes, a sensação é que o Buritis está abandonado pelas autoridades. “Parece que vivemos em uma terra sem lei. Se por um lado somos privilegiados por estar em um bairro que parece ser uma cidade à parte de outra cidade, por outro enfrentamos os problemas de não ter uma atenção como nos bairros mais centralizados. Aqui, não tem a Guarda Municipal, que está apta a multar; a BHTrans, que fica aqui, não pode mais aplicar multas; e a polícia, que é a única que poderia solucionar esse problema, não liga para isso. Já vi pessoas cometendo infrações no trânsito em frente a policias que preferiram não fazer nada”, afirma.
 
     Mesmo com tantas reclamações, segundo a 126ª Cia do 5º Batalhão de Polícia Militar, após a BHTrans ter sido proibida de multar, as infrações no bairro continuam baixas. Para a PM, apenas infrações mais comuns, como o uso de telefone ao volante e a falta do cinto de segurança, permanecem tendo ocorrências. A polícia ainda informou que desconhece esse cenário retratado pelos moradores e diz que não houve também aumento de denúncias no trânsito.

 
 

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