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Eles sujam com o bairro

 Mesmo proibidas por lei, faixas de comerciantes estão espalhadas por todos os cantos, deixando o Buritis com aspecto de sujeira
 
      Desde quando surgiu, em maio de 2004, o JORNAL DO BURITIS tem ressaltado um dos aspectos mais positivos do bairro, que é a variedade do nosso comércio. No entanto, como se diz na gíria popular, esta também é uma “faca de dois legumes”. O enorme número de lojas e estabelecimentos comerciais também traz, de um certo modo, alguns prejuízos ao bairro e a concorrência,muitas vezes, passa dos limites e extrapola as fronteiras da legalidade.
      Uma dessas irregularidades é a grande quantidade de faixas espalhadas pelas ruas e avenidas do bairro, deixando o Buritis poluído visualmente. No ano passado, fizemos duas reportagens sobre o assunto que resultaram num efeito imediato de limpeza. Inclusive, no mês de junho, na matéria intitulada de “Classificados a Céu Aberto”, mostramos as irregularidades e, em julho, mostramos a redução no número de faixas.
      O grande problema é que, assim como agem outros infratores da lei, que se acham mais espertos que os que andam na linha, bastou passar algum tempo até as pessoas esquecerem as reportagens para eles voltarem com força máxima, mostrando que, muitas vezes, o Buritis, para eles, não passa de um lugar onde conseguir o seu ganha pão, custe o que custar, inclusive desrespeitando assiduamente o Código de Posturas de Belo Horizonte, que proíbe e prevê várias sanções para quem coloca este tipo de propaganda nas vias públicas da cidade.
      Nas avenidas José Rodrigues Pereira, Engenheiro Carlos Goulart e na Rua Paulo Piedade Campos, as faixas estão presentes em vários pontos, provocando, além da poluição visual, a distração dos motoristas que por ali passam. Mas, o maior exemplo da falta de educação e desrespeito à lei está na Avenida Prof. Mário Werneck. Por ser a principal avenida do bairro, onde estão concentrados os maiores estabelecimentos comerciais, além de ser a via mais movimentada, os infratores chegam a disputar espaço para dependurar as propagandas irregulares. São dezenas de faixas que são afixadas ao longo da avenida com um espaço entre uma e outra de cerca de 50 metros, algumas até menos.
 
“AHAZANDO”
 
      No período em que fomos às ruas para flagrar o desrespeito, na última quinzena de dezembro, a campeã em afixação de faixas foi a loja de calçados, bolsas e assessórios Ahaze, localizada na Mário Werneck esquina com Engenheiro Carlos Goulart. Não foi a primeira vez que a loja utilizou este tipo de propaganda irregular para divulgar seus produtos. Mas, no final do ano, sem dúvida, alguma deve ter batido o seu recorde de sujeira. Eram seis faixas espalhadas pela Mário Werneck: duas na subida entre o Espaço Buritis e o Top Buritis, duas na descida nos mesmos pontos, uma próxima ao supermercado SuperNosso e outra próxima ao restaurante BoiVaca. Algumas ainda sobreviviam neste início de ano.
      Outros que ficam no topo da lista são os donos de imóveis, imobiliárias e construtoras que pretendem vender ou alugar. São faixas e mais faixas com propostas que buscam atrair os consumidores, com promoções encantadoras, mas, na mesma proporção, desrespeitosas. Vale lembrar que as pessoas que consomem estes produtos são as mesmas que terão que conviver com essa poluição visual, que agridem não só aos olhos, mas também ao meio ambiente, já que essas faixas, muitas vezes, são também afixadas em árvores, que acabam destruídas pelos arames.
      Mas a lista de sujões não para por aí. Nela ainda estão, somente no mês de dezembro e início de janeiro, o salão de beleza Luiza Helena, com suas promoções de Natal; o Vestidos de Festa, com liquidação total; hotel para cães Corte Real, oferecendo qualidade de vida para os animais, mas tirando a dos moradores; lojas de roupas femininas Splenditá, entre tantas outras.
      Para a professora de artes do Efigênia Vidigal, Mariângela Penna, a melhor maneira para evitar que essas faixas continuem a sujar o bairro é cada um fazer sua parte e evitar comprar nos estabelecimentos infratores. “Essas faixas causam uma poluição visual muito grande, agridem muito os olhos. O abuso desses comerciantes deixa a cidade com aspecto de sujeira, além de ser ilegal e prejudicar o meio ambiente”.
      Outra que compartilha da mesma opinião é a comunicóloga e moradora do bairro, Zênia Moura Borges. Segundo ela, as faixas, além da poluição visual, deixam o Buritis mais feio e distraem as pessoas, principalmente os motoristas. “Sou totalmente contra essas faixas. Elas poluem, sujam, deixam o bairro mais feio, distraem motoristas, entre tantos outros problemas. Apesar da lei, tem que ter uma punição maior, para que esses infratores parem de sujar o bairro”, opina.
      Ainda de acordo com a comunicóloga, outra maneira de acabar com essas propagandas é boicotar os sujões. “Os consumidores também são grandes responsáveis pelo problema. Muitos, é verdade, não sabem da lei que proíbe as faixas. Mas os que sabem devem fazer seu papel e parar de comprar nessas lojas, porque, somente assim, os empresários vão ver que as faixas não estão surtindo efeito e vão parar de afixá-las pelo bairro”, sugere.
      Os proprietários da Ahaze, Adalmo Magalhães de Miranda Nunes e Fernanda Ker Nader, alegaram desconhecimento da lei. Eles afirmaram não saber que “a afixação de faixas é irregular”. No entanto, não é só o JORNAL DO BURITIS que tem falado sobre o assunto. Ao longo de 2009, praticamente todos os veículos de comunicação da capital mineira fizeram matérias e reportagens sobre o assunto. As demais empresas denunciadas na matéria foram procuradas, mas não quiseram se pronunciar ou não foram encontradas para falar sobre o assunto.
 
Prefeitura gasta quase dois milhões para limpar sujeira
 
      O Novo código de Posturas, projeto do executivo aprovado em primeiro turno na Câmara dos Vereadores em dezembro do ano passado, promete ser mais rigoroso com os infratores. O artigo 51 da lei municipal do novo Código de Posturas (antigo artigo 187 do Código de Posturas vigente), é expressamente proibida a afixação de faixas pelas ruas da cidade. A nova legislação, que deve ser aprovada ainda no primeiro semestre deste ano, vai jogar ainda mais pesado nas multas. Atualmente, a multa para quem infringe a lei é de R$367 por faixa. O novo código vai praticamente dobrar este valor.
      Segundo informações da prefeitura, o município gasta por ano R$1,620 milhão para retirar as faixas irregulares das ruas. Cada uma das nove regionais da cidade tem uma equipe com caminhão e cerca de quatro funcionários para limpar a sujeira. A região mais poluída é a Centro-Sul e a Oeste, da qual o Buritis faz parte, que fica em segundo lugar no ranking geral.
      A legislação vigente permite um recurso que só pode ser usado faixas em casos institucionais, de utilidade pública, como em campanhas de vacinação e avisos sobre mudanças no trânsito, o que não é o caso de nenhuma dessas faixas. Todas são de cunho comercial. Mesmo as propagandas institucionais precisam seguir regras, como não amarrar as faixas em árvores, locais que dificultem a visualização de placas de trânsito, trevos e perto de túneis, o que torna o desrespeito ainda maior nos casos das faixas comerciais espalhadas no bairro, já que boa parte delas está amarrada em árvores e em pontos que atrapalham a sinalização de trânsito.
      Segundo a Consultora da Secretária Municipal de Políticas Urbanas, Maria Fernandes Caldas, apesar das multas e das punições previstas em lei, o certo mesmo é que a comunidade dê um basta nessas irregularidades. “Estamos procurando deixar a lei mais rigorosa, mas o principal é que cada cidadão tenha responsabilidade também, como evitar comprar desses anunciantes irregulares”, explica. Outra atitude dos moradores do bairro para resolver esse problema e contribuir com uma cidade menos poluída são as denúncias sobre afixação irregular de faixas que podem ser feitas pelo telefone 156.
 
 

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